ALERTA RESPIRATÓRIO: RIO DE JANEIRO REGISTRA 424 MORTES E 7 MIL INTERNAÇÕES POR SRAG .E MARICÁ PRECISA SE PREPARAR..

Por Ricardo Cantarelle/TVC

O Rio de Janeiro entrou em estado de alerta. Em 2026, o vírus da influenza já provocou 174 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na capital mais que o dobro do número registrado no mesmo período do ano anterior.

No estado como um todo, segundo dados circulados nas redes sociais e confirmados por fontes institucionais, o cenário acumula 424 mortes e 7.042 internações desde o início do ano, com pressão hospitalar forte em São Gonçalo, Niterói, Petrópolis, Macaé e Nova Iguaçu.

A situação não é circunstancial. É a combinação de três fatores que os especialistas vinham antecipando: a chegada das temperaturas mais frias, a sazonalidade dos vírus respiratórios e uma cobertura vacinal em estado crítico.

O inimigo tem mais de um rosto.

Quem pensa que está diante de uma gripe comum pode estar subestimando o risco. Segundo a Fiocruz, o estado do Rio de Janeiro aparece entre as unidades da federação com tendência de crescimento dos casos associados ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável pelas internações de crianças de até 4 anos.

Mas não é só o VSR. A Influenza A responde por 24,5% das internações recentes e é considerada hoje o vírus respiratório mais letal no Brasil, responsável por 51,8% das mortes confirmadas por vírus respiratórios. De janeiro a maio de 2026, o país registrou 505 mortes por SRAG associadas aos vírus Influenza A e B, segundo dados do Ministério da Saúde das quais 136 foram confirmadas apenas nas duas últimas semanas analisadas.

A transmissão ocorre por via aérea e por contato com superfícies contaminadas. Em adultos saudáveis, o quadro costuma ser leve, semelhante a uma gripe comum, com coriza, tosse e febre baixa. Em bebês, os sinais de alerta envolvem dificuldade para respirar, alimentação reduzida e cansaço excessivo.

Quando a gripe evolui para SRAG, os sinais são inequívocos e exigem atendimento imediato: falta de ar ou desconforto para respirar, dor persistente no peito, queda na oxigenação do sangue e febre alta que não cede com medicamentos comuns.

Vacinação: o escudo que a população rejeita.

O dado mais preocupante não está nos hospitais está nos postos de saúde vazios. Até o momento, o estado do Rio de Janeiro aplicou doses equivalentes a apenas 27,35% da cobertura esperada para o público prioritário, distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

A maioria dos municípios ainda apresenta cobertura vacinal muito aquém do desejado, com destaque negativo para as regiões da Baixada Litorânea, Metropolitana I e Baía da Ilha Grande região que inclui Maricá.

Na capital, apesar de mais de 1 milhão de doses aplicadas em 2026, apenas 1 em cada 3 pessoas dos grupos prioritários se vacinou. Em 2025, 89 mil doses da vacina contra a gripe foram incineradas porque as pessoas não foram se vacinar.

A vacina disponível nos postos de saúde protege contra as cepas em circulação agora, incluindo a variante responsável pelo aumento de óbitos registrado neste ano.

O tratamento com antiviral Fosfato de Oseltamivir está indicado para todos os casos de SRAG, e o início deve ocorrer preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Mas a prevenção a vacina continua sendo a arma mais eficaz antes de chegar a essa fase.

O que fazer: prevenção e sinais de alerta.

Os especialistas são unânimes nas recomendações básicas: vacinar-se nos postos de saúde, manter ambientes bem ventilados mesmo no frio, lavar as mãos frequentemente, cobrir a boca ao tossir ou espirrar e evitar contato próximo quando estiver com sintomas.

A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, enfatiza que a vacinação é a ferramenta mais eficaz para evitar hospitalizações e mortes, e destaca uma novidade para a saúde infantil: a vacinação contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, estratégia que garante que os bebês já nasçam protegidos contra um dos vírus que mais causa internações pediátricas.

Maricá: estrutura sob pressão latente

O Hospital Municipal Conde Modesto Leal única referência de urgência e emergência 24 horas no município opera com capacidade que pode ser rapidamente pressionada.

O hospital possui 90 leitos equipados, entre enfermaria, trauma, pediatria e maternidade, e atende aproximadamente 100 mil pessoas por ano, incluindo moradores de outros municípios da Região Metropolitana II.

A unidade registrou mais de 200 mil atendimentos somente em 2024 e está passando por uma reforma na área da emergência, com expansão de consultórios, leitos e sala de espera.

A prefeitura prevê intervenções estruturais para ampliar o fluxo de atendimentos no Conde Modesto Leal, e na Cidade da Saúde Dr. Ernesto Che Guevara, em São José do Imbassaí, estão planejados novos serviços, incluindo hemodiálise, hemodinâmica e novas salas cirúrgicas. Mas obras planejadas e sazonalidade respiratória acelerada são adversários que raramente respeitam cronogramas.

A TVC questiona ao Secretário Municipal de Saúde de Maricá Marcelo Velho: existe algum plano de contingência ativado ou em elaboração para enfrentar um eventual aumento expressivo de casos de SRAG no município?

A estrutura atual do Hospital Conde Modesto Leal com seus 90 leitos operacionais tem capacidade de dar uma resposta adequada caso os atendimentos respiratórios cresçam em proporção suficiente para estrangular a emergência?

Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Saúde não havia respondido aos questionamentos da reportagem.

A TVC apura.