A “cidade do futuro” que o prefeito Washington Quaquá tanto propaga para Maricá se choca drasticamente com a realidade atual enfrentada pelos profissionais da saúde do município.
Denúncias graves revelam um cenário de abandono, insalubridade e descaso que coloca em risco a vida e a dignidade de quem atua na linha de frente do atendimento social, especialmente em relação à política de acolhimento de moradores de rua

A situação é alarmante e aponta para uma falha crítica na gestão da saúde municipal, sob a responsabilidade do Secretário Marcelo Velho. Funcionários relatam condições de trabalho degradantes que violam direitos básicos e expõem a equipe a riscos de contaminação e violência.
Um Relato Chocante: Ratos, Baratas e Descaso Diário
Um dos funcionários, que preferiu não se identificar, descreveu um cenário desolador desde o início da nova gestão:

“Desde o início da nova gestão, ficamos entregues a baratas. Não tínhamos nem um espaço para fazer nossas refeições e tínhamos que fazer nossas refeições junto com os usuários que muitas vezes não têm higiene. Pois o único espaço (sala) era para os técnicos e fomos proibidos de tirar nosso horário de alimentação e descanso, que era uma hora por plantão, porque para eles tínhamos que estar em convívio direto o tempo todo com os usuários, onde eles mesmos ficavam presos o dia todo dentro da sala. Lembrando que nosso plantão é de 12/36, tínhamos que comer com eles olhando e pedindo muitas vezes nossa alimentação. Não tem um quarto para descanso dos colaboradores e nem uma sala. O banheiro que usamos não tem trinco, pois desde que a nova gestão entrou, mandaram tirar e os usuários, por várias vezes, entravam e sujavam tudo. Então não tínhamos nem um sanitário decente para utilizar. O direito é apenas para essas pessoas que estão vindo de fora e muitas vezes fugidas. Os trabalhadores não têm direito algum perante a assistência social. Fora ratos, baratas e lacraias. Alguns colaboradores precisam ao menos descansar na sua hora de descanso e forrar no chão algo para descansar. Um descaso total! Cadê o sindicato que, por sua vez, o novo secretário diz ser sindicalista? Cadê a assistência social que visa garantir a proteção social? Imagina que isso acontece dentro da assistência social? Fora que os colaboradores precisam enfrentar os usuários que, por muitas vezes, chegam loucos de drogas, bebidas e nem ao menos têm um segurança para proteção deles se tiver que intervir. O único segurança que tem é patrimonial e eles não podem intervir em nada além do patrimônio. Com a nova gestão, houve muitas mudanças e para pior. Ideias descabidas e mirabolantes, como até mesmo capacitação para aprender quais entorpecentes poderiam ser combinados pelos usuários, alegando eles redução de danos.”

Direitos Negados e Abandono Financeiro
Além das condições insalubres, os funcionários denunciam a falta de pagamentos essenciais. “Não recebemos insalubridade, periculosidade e, além disso tudo, estamos há dois meses sem o VR, sem salário, sem rescisão, pois a empresa anterior foi desligada desde 01/05/2025”, revela o funcionário.

A gestão teria prometido que uma empresa emergencial cobriria esses valores, mas até a presente data, nada foi feito, e a equipe está “a ver navios e sem cozinhados em banho maria”, sem informações claras sobre seus direitos.
O Papel do Secretário e a Contradição com a “Cidade do Futuro”
O descaso é atribuído diretamente ao Secretário de Saúde, Marcelo Velho, que, segundo as denúncias, estaria mais preocupado em “agradar o prefeito” do que em cuidar da saúde dos funcionários. A situação de trabalhadores sendo tratados como “gado”, forçados a dormir no chão e expostos a condições degradantes, é uma violação do ordenamento jurídico, tanto interno quanto internacional.

A promessa de Maricá como uma cidade com uma plataforma de lançamento de foguetes e um complexo espacial contrasta brutalmente com a realidade dos profissionais da saúde que não possuem sequer um banheiro com trinco ou um local digno para suas refeições e descanso.
É imperativo que o prefeito Washington Quaquá e o Secretário Marcelo Velho tomem medidas urgentes para reverter essa situação.
A saúde e a dignidade dos trabalhadores não podem ser sacrificadas em nome de projetos futuristas que não se conectam com a realidade mais básica da cidade.