A história de Beatriz Krähenbühl, de 57 anos, é um exemplo de reinvenção. Natural de Santos, no litoral de São Paulo, ela trocou as praias brasileiras pelos imponentes Alpes Suíços há 30 anos. O que começou como uma mudança de vida em 1996 transformou-se, recentemente, em uma carreira profissional de destaque: a de guia de montanha certificada internacionalmente.
Do amor pelas trilhas à nova profissão
O interesse pela vida nas montanhas surgiu de forma espontânea após a pandemia. Beatriz começou a compartilhar suas caminhadas nas redes sociais e, rapidamente, passou a ser procurada por outros brasileiros que desejavam explorar a região. O incentivo de um guia local foi o empurrão que faltava para que ela buscasse uma formação técnica e rigorosa.
O desafio da formação ‘Mountain Leader’
Ingressar no curso de Mountain Leader, certificado pela União Internacional das Associações de Líderes de Montanha (UIMLA), não foi uma tarefa simples. Beatriz enfrentou três anos de um cronograma intenso, que exigiu preparo físico — como subir 600 metros de desnível por hora carregando 8 kg — e um vasto conhecimento acadêmico. O currículo incluiu desde meteorologia e prevenção de avalanches até geologia e primeiros socorros em áreas remotas.
Superação e a busca pelo brevet federal
Atualmente, Beatriz atua como guia aspirante e se prepara para o exame final em novembro, que lhe garantirá o brevet federal. A conquista é celebrada por ela como uma prova de que a idade não é um impeditivo para novos aprendizados. “Entrei nessa formação com mais de 50 anos e, em vários momentos, questionei se conseguiria. Cada etapa vencida reforçou a certeza de que nunca é tarde para reinventar a própria vida”, afirma.
Uma trajetória de adaptação
Antes de se tornar guia, Beatriz teve uma vida profissional diversa. Formada em Biologia Marinha, trabalhou como comissária de bordo e atuou na gestão de centros esportivos e estações de esqui em Verbier. Após duas décadas dedicadas à educação infantil, ela encerrou esse ciclo em 2023 para se dedicar integralmente à paixão pelas montanhas, onde encontrou um ambiente que, segundo ela, nunca é o mesmo, renovando-se a cada estação e mudança climática.