Câmeras e agulhas: cientistas criam baratas-robô para resgatar vítimas presas em escombros

A tecnologia por trás dos ‘paraborgs’

Pesquisadores das universidades de Queensland e de Nova Gales do Sul, na Austrália, desenvolveram uma solução inusitada para missões de busca e salvamento. Utilizando a barata-gigante-escavadora — a espécie mais pesada do mundo, que chega a 8,5 cm —, a equipe criou insetos ciborgues equipados com mochilas tecnológicas. Esses dispositivos carregam câmeras de monitoramento e sistemas de injeção remota, permitindo que os insetos alcancem espaços estreitos e perigosos onde robôs convencionais teriam dificuldade de transitar.

Agilidade biológica com controle eletrônico

A escolha pelos insetos não foi por acaso. Segundo os especialistas, a agilidade, a resistência e o baixo consumo de energia das baratas superam qualquer máquina produzida atualmente. Para guiar os animais, os cientistas implantam eletrodos no sistema nervoso, permitindo que operadores humanos controlem sua direção através de sinais elétricos. O processo é realizado sob anestesia, garantindo que os insetos não sintam dor durante a instalação dos equipamentos.

Precisão em situações de emergência

O sistema funciona em dupla: uma barata ‘observadora’ localiza a vítima, enquanto a segunda, carregando o medicamento, posiciona-se para a aplicação. Em testes laboratoriais utilizando alvos de silicone e pele de porco, a tecnologia atingiu 100% de sucesso na chegada aos pontos designados e 95% de eficácia na administração de injeções a uma distância curta. A intenção é que, no futuro, esses ‘paraborgs’ possam estabilizar vítimas de terremotos ou desabamentos, tratando casos como picadas de cobra ou reações alérgicas graves antes da chegada do resgate humano.

O futuro das missões de resgate

Embora os resultados sejam promissores, os cientistas destacam que ainda há desafios a superar, como a navegação em terrenos complexos e a manutenção do sinal em estruturas colapsadas. A equipe planeja a criação de enxames de baratas, que poderiam atuar de forma coordenada para localizar e socorrer pessoas com maior rapidez. O estudo, publicado na revista Advanced Science, reforça que, apesar da aversão natural que o inseto possa causar, o uso da tecnologia pode ser o diferencial entre a vida e a morte em cenários de desastre.