Um caso de intervenção policial terminou com a morte do caminhoneiro Elvis Santos da Silva, de 35 anos, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife, na noite do último sábado (26). A ocorrência, que envolveu agentes do 19º Batalhão da Polícia Militar, é o quarto registro de morte decorrente de ações policiais na Região Metropolitana do Recife apenas neste mês de setembro.
Entenda a dinâmica da ocorrência
Segundo nota oficial da Polícia Militar, a guarnição realizava uma abordagem a suspeitos de tráfico de drogas quando a vítima, que não tinha relação com o grupo abordado, teria se aproximado. A PM alega que Elvis estava visivelmente alterado, proferiu ofensas aos policiais e iniciou uma luta corporal, chegando a arremessar objetos contra a equipe.
O Boletim de Ocorrência detalha que um dos policiais disparou inicialmente contra a cintura do caminhoneiro. Mesmo ferido, ele correu para dentro de uma residência próxima, onde a briga teria continuado e culminado em outros dois disparos contra a vítima. Elvis chegou a ser socorrido à UPA da Imbiribeira, mas não resistiu aos ferimentos.
Investigações em curso
O caso está sendo apurado pela 3ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Questionada sobre o acompanhamento da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS), a pasta não se manifestou até o momento.
Cenário de letalidade policial no estado
O episódio no Ibura eleva a preocupação sobre o uso da força nas abordagens policiais. Apenas em setembro, outros três casos foram registrados:
- 8 de setembro: Eduardo Pedrosa da Silva foi baleado em casa por PMs em Itapissuma;
- 15 de setembro: João Victor Silva dos Santos, de 18 anos, morreu em Olinda após confronto relatado pela polícia;
- 25 de setembro: Um homem morreu e um adolescente de 17 anos ficou ferido durante troca de tiros em Santo Amaro.
A SDS defende que Pernambuco mantém um dos menores índices de letalidade policial do país, com 3,5% de mortes por intervenção legal a cada 100 mil habitantes, e ressalta que o efetivo passa por capacitações constantes em direitos humanos e uso progressivo da força.