Câncer de pâncreas registra 20 mortes no Sul de Minas em 2026: entenda os sinais de alerta e a dificuldade do diagnóstico precoce

O câncer de pâncreas, uma das neoplasias mais agressivas e silenciosas da medicina, tem gerado preocupação nas maiores cidades do Sul de Minas Gerais. Somente nos primeiros meses de 2026, a região registrou 20 óbitos causados pela doença: seis em Varginha, seis em Poços de Caldas, quatro em Pouso Alegre e quatro em Passos.

O desafio do diagnóstico precoce

A principal barreira no enfrentamento deste tipo de tumor é a falta de um exame de rastreamento eficaz para a população em geral. A oncologista clínica Helenna Maria da Silveira Ribeiro explica que o diagnóstico raramente ocorre no início. ‘Não existem estudos que mostrem um exame eficaz de rastreamento que possa mudar o prognóstico da maioria dos pacientes’, afirma. A exceção se aplica apenas a pessoas com histórico familiar de alterações genéticas específicas, como as mutações BRCA1 e BRCA2, que possuem indicação para ressonância de abdômen anual.

Sintomas que exigem atenção

Como a doença é silenciosa, o diagnóstico costuma ocorrer em estágios avançados. Contudo, a médica destaca sinais que não devem ser ignorados, especialmente se forem persistentes: dor na parte superior do abdômen, pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura (colúria) e fezes claras (acolia). Perda de peso sem causa aparente, náuseas e vômitos também são alertas importantes.

Quem pertence ao grupo de risco?

Especialistas reforçam que a atenção deve ser redobrada por pessoas com histórico familiar de câncer de pâncreas ou outros tumores. Além disso, indivíduos com diabetes de longa data, obesidade, tabagismo ou etilismo possuem maior probabilidade de desenvolver a enfermidade. Nesses casos, qualquer alteração persistente na saúde deve levar o paciente a procurar ajuda especializada imediatamente.

Uma história de superação

O empresário Dirceu Paulo dos Santos, de Espírito Santo do Dourado, viveu a angústia da descoberta tardia. Após meses de dores intensas e idas frequentes ao hospital, ele foi diagnosticado com pancreatite antes de confirmar o tumor. O tratamento cirúrgico, porém, foi bem-sucedido. ‘A vida está normal. Não pode desistir, tem que fazer o tratamento e ter coragem. Graças a Deus eu venci!’, relata o empresário, que hoje mantém uma rotina saudável e produtiva.