Carnatal: Quando o Prefeito Expulsa Papai Noel e Gasta 30 Milhões em Delírio Carnavalesco

Por Ricardo Cantarelle

Turistas argentinos ficam perplexos com “Natal” que mais parece ensaio de escola de samba. Papai Noel foi banido.

No lugar, carros alegóricos, abre-alas e um boneco que, dizem maricaenses, foi inspirado no próprio prefeito. Megalomania ou genialidade? A conta de 30 milhões fica para o povo descobrir.

O Dia em Que Papai Noel Foi Exilado de Maricá

Logo após a apresentação da Esquadrilha da Fumaça, quando nossa equipe de reportagem retornava para a central, um casal de argentinos tentava, desesperadamente, se comunicar com nosso cinegrafista.

Com dificuldade no idioma, o profissional me chamou. O diálogo que se seguiu merece ser registrado para a posteridade:

Cantarelle: Hola, puedo ayudar?

Argentinos: Qué bueno que podamos conversar. Mi nombre es Ruan Salazar y esta es mi esposa, Carmelita Salazar. Vinimos con una duda existencial: esto sigue siendo Navidad o estamos en un ensayo general del Carnaval?

Cantarelle: (risos) Entiendo la confusión…

Argentinos: El año pasado, amigos nuestros de Córdoba estuvieron aquí y quedaron maravillados: luz por todos lados, Papá Noel desfilando feliz, el cielo nocturno convertido en postal navideña, figuras iluminadas, emoción, espíritu navideño… Hoy vemos carros que parecen salidos directamente del Sambódromo de Río. Ya vimos ese desfile también. Este carro, por ejemplo, podría estar compitiendo por el primer premio. En qué momento la Navidad pidió cambio de género?

Cantarelle: Calma, amigos. Respiren. La ciudad cambió de intendente y, con él, cambió también el significado de la Navidad. El anterior entendía que la fiesta tenía símbolos universales. El actual decidió que era hora de una disputa épica: él contra Papá Noel. Una pelea de poder. Quién manda más: una figura del NORTE o él mismo.

Sin consultar a nadie porque consultar es cosa de débiles, prohibió a Papá Noel participar. En su lugar, impuso personajes del folclore brasileño, como el Saci Pererê con su gorro rojo. No como suma cultural, sino como reemplazo. En ese momento, el equipo de prensa tuvo que morderse la lengua para no reírse en cámara.

Argentinos: O sea… el intendente odia a Papá Noel?

Cantarelle: Para nada. Él ama profundamente… el dinero y el poder. Es su verdadero espíritu navideño. Es un experto en gastar dinero que no es suyo. Le encanta financiar sus propios proyectos. Este evento, por ejemplo, costó más de 30 millones, para una Navidad donde la familia Noel tiene entrada prohibida. Clausurada. Cancelada. Exiliada.

Argentinos: Treinta millones?! Hablás en serio? Y la gente no dice nada?

Cantarelle: Cuanto más el pueblo reclama, más él provoca. Es casi pedagógico. Para él, la ciudad no es una ciudad: es un gran mostrador de NEGOCIADOS, con luces, carros alegóricos y presupuesto abierto.

O Espantalho de Óculos: Quando a Vaidade Vira Personagem

Mas o que realmente chamou atenção dos argentinos e de boa parte dos maricaenses que ainda ousam pensar foi o tal “Papai Noel” que desfilou. Ou melhor: o espantalho de óculos que ousou usar o nome do bom velhinho.

Segundo relatos de moradores, o boneco foi criado pelo carnavalesco Milton Cunha, figura conhecida no mundo do samba. E aqui reside o detalhe saboroso: muitos maricaenses juram de pé junto que o personagem foi inspirado no próprio Quaquá. Um Noel à imagem e semelhança do prefeito. Para massagear a vaidade. Para eternizar o ego.

Afinal, por que permitir que uma figura universal, amada por crianças do mundo inteiro, roube a cena, quando você pode criar uma versão de si mesmo e colocá-la no centro do espetáculo?

É Natal? Não. É carnaval? Também não. É Carnatal: a festa híbrida onde o prefeito é rei, juiz e personagem principal. Onde símbolos tradicionais são substituídos não por enriquecimento cultural, mas por capricho autoritário.

30 Milhões: O Preço da Megalomania

Trinta milhões de reais. Vamos repetir para que fique claro: R$ 30.000.000,00.

Enquanto maricaenses relatam demissões em massa, substituição de trabalhadores locais por forasteiros ligados a interesses políticos, e uma prefeitura que funciona como QG de negociatas, o prefeito decide gastar essa fortuna em um evento que mais parece ensaio de escola de samba do que celebração natalina.

Carros alegóricos, abre-alas, comissão de frente. Tudo pronto para desfilar na Sapucaí. Ops, perdão: para “celebrar o Natal” em Maricá.

A justificativa? Valorização da cultura brasileira. O Saci Pererê substituindo Papai Noel. Porque, segundo a lógica quaquiana, o problema do Natal não é a falta de inclusão cultural é a existência de símbolos que ele não controla.

Não se trata de somar referências. Trata-se de eliminar o que não serve ao projeto pessoal de poder. E, de quebra, gastar uma montanha de dinheiro público para celebrar a própria imagem.

Turistas Espantados, População Refém

De volta à conversa com os argentinos, Ruan fez a pergunta que não quer calar:

Argentinos: Y cuando sale a la calle la gente no lo encara?

Cantarelle: No suele salir solo. Anda rodeado de seguridad. Es curioso: un hombre que dice gobernar una ciudad feliz, pero tiene miedo de caminar por ella. Antes tenía libertad; hoy tiene escolta. Señales de éxito político, supongo.

A ironia é cristalina. Um prefeito que se diz popular, mas precisa de proteção para circular em sua própria cidade. Um gestor que promete festa, mas entrega espetáculo circense. Um político que confunde interesse público com projeto pessoal.

Cantarelle: Pero no se preocupen, amigos. Disfruten el desfile del CARNATAL. Filmen todo. Muéstrenlo a sus amigos. Porque hoy Brasil tiene un intendente que gobierna una ciudad de fantasía: pasó un año entero vendiendo ilusión, gastando dinero público y llamando a eso “gestión cultural”. Aprovechen el espectáculo. Con suerte, el año que viene Papá Noel vuelve… si consigue autorización presupuestaria. Fue un placer ayudarlos.

Os argentinos foram embora perplexos. Prometeram mostrar os vídeos aos amigos em Córdoba. “Para que vejam o que é capaz un intendente con presupuesto abierto y cero vergüenza”, brincou Ruan ao se despedir.

A Piada Pronta: Maricá Como Laboratório do Absurdo

No retorno à central, comentei com a equipe: os turistas ficam espantados com essa aberração criada por Quaquá a um preço exorbitante. Ele, com a certeza da impunidade, vai fazendo o que bem entende. Por isso a prefeitura só tem gente de fora. Os cargos estratégicos? Todos ocupados por forasteiros.

A verdade nua e crua é que ele está tirando onda com a cara da população. E o pior: sabe que pode. Sabe que vai continuar. Porque o sistema permite. Porque a máquina pública virou extensão do ego.

Porque Maricá deixou de ser cidade e virou palco de um delírio megalomaníaco financiado com dinheiro de quem trabalha, de quem paga imposto, de quem acreditou que política poderia ser diferente.

Vamos ver até onde isso vai chegar.

Mas uma coisa é certa: Papai Noel não volta tão cedo. Quaquá já decidiu: o Natal agora tem dono. E esse dono usa óculos, adora carnaval e não tem limites para gastar o que não é dele.

Feliz Carnatal, Maricá.

Ricardo Cantarelle é jornalista e testemunha ocular do maior espetáculo de megalomania natalina já visto no litoral fluminense.