China investe em presença econômica global
A China tem construído, nas últimas décadas, uma estratégia consistente para fortalecer sua presença econômica e seu posicionamento no cenário internacional. Marcus Vinícius De Freitas, professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China, destaca em entrevista ao WW Especial que o país asiático soube se tornar o principal parceiro econômico de mais de 140 nações e territórios ao redor do mundo.
“Os chineses entenderam que deveriam avançar de maneira paulatina e muito inteligente”, afirmou o professor, ressaltando que esse crescimento foi conduzido de forma gradual e estratégica, garantindo uma prevalência internacional cada vez maior, especialmente no setor de manufatura. A expectativa é que, até 2030, a China seja responsável por 50% da produção global.
Lógica “ganha-ganha” como pilar da política externa
Essa ascensão chinesa é marcada pela lógica do “ganha-ganha”, ou win-win, frequentemente citada pelo país como fundamento de sua política externa. Essa abordagem se baseia na ideia de que a China atua tanto como fornecedora de produtos quanto como grande consumidora do que outros países têm a oferecer, promovendo uma dependência mútua crescente.
Retração americana e a percepção de “bully”
O avanço chinês ocorre em paralelo a uma observada retraç��o da presença norte-americana no cenário global. Marcus Vinícius aponta que a postura de imposição adotada pelos Estados Unidos, sintetizada na ideia de “paz por meio da força” defendida por Donald Trump, tem gerado preocupações crescentes. “Efetivamente, nesta ordem liberal internacional, os Estados Unidos se transformaram no grande ‘bully'”, declarou o professor.
Economia chinesa como alternativa viável
É justamente essa percepção que a China tem explorado para apresentar sua economia como uma alternativa viável. O professor Vinícius ressalta que o que se observa não é uma adoção dos valores chineses, mas sim da sua economia, com toda a sua relevância e força, como uma opção para outras nações. A China se posiciona como um parceiro econômico estratégico, atraindo nações que buscam alternativas à política externa americana.