Cleam Capital assume controle da Grano Alimentos e mira R$ 1 bilhão com aquisições e expansão internacional

Nova Gestão e Metas Ambiciosas

A Grano Alimentos, referência nacional em vegetais congelados, tem um novo controlador. Após uma década sob o comando do fundo americano Arlon, a gestora Cleam Capital, liderada pelo empresário Eduardo Lacet, fundador da Show Tecnologia, adquiriu o controle da companhia. A transação marca a diversificação dos investimentos de Lacet para além do setor de tecnologia.

Com faturamento anual de R$ 300 milhões, a Grano Alimentos projeta um crescimento expressivo, visando alcançar R$ 1 bilhão em receita nos próximos cinco anos. Essa expansão será impulsionada por aquisições estratégicas de empresas nos segmentos de vegetais e frutas congeladas, além de um forte foco no mercado de exportação.

Desafios e Oportunidades no Mercado de Congelados

O CEO da Grano, Fernando Giansante, admitiu um erro recente da empresa ao investir no mercado de plant-based em 2023, com a aquisição da Gerônimo. “Foi uma decisão ruim. Era uma moda e não se mostrou sustentável porque o consumidor entendeu que as fórmulas dos produtos não eram adequadas”, explicou Giansante, que estima uma perda de 50% do investimento realizado.

Apesar desse revés, a Grano se consolida como a maior empresa de legumes congelados do Brasil, detendo 40% do mercado, com forte presença nas regiões Sul e Sudeste. O brócolis é o carro-chefe, mas a empresa também comercializa couve-flor, mix de legumes e ervilha.

Expansão para Mercados Internacionais

A entrada no mercado de exportação é uma prioridade para a nova gestão. A Grano já obteve certificações internacionais e realizou um primeiro embarque para os Estados Unidos. No entanto, planos iniciais foram afetados pelo aumento de tarifas de importação e condições cambiais desfavoráveis. O executivo vê um grande potencial no mercado americano, citando o Equador como exemplo de sucesso na exportação de brócolis.

Atualmente, o faturamento da Grano é dividido entre terceirização (co-packer), venda de marca própria no varejo e fornecimento para o setor de food service. Clientes como Bonduelle e Swift figuram entre os compradores de seus produtos.

O Futuro dos Congelados

Giansante acredita no potencial de crescimento do consumo de vegetais congelados no Brasil, especialmente fora das regiões Sul e Sudeste. Ele destaca que o produto congelado é, em média, 40% mais barato que o fresco em volumes maiores. A expansão do mercado deve ocorrer através de vendas no atacarejo e pelo crescimento de marmitas saudáveis.

“Com as canetas de emagrecimento e sem as pessoas terem tempo para cozinhar, os congelados são o futuro. São saudáveis, nutritivos e fáceis de preparar”, afirma o CEO. A sustentabilidade e o fornecimento são garantidos por parcerias com 100 produtores rurais, com R$ 24,3 milhões destinados à agricultura familiar em contratos futuros para 2025.