Clientes relatam agressão homofóbica e racista por guardas municipais em bar LGBT de Cabo Frio

Violência gratuita em boate LGBT

Clientes de um bar LGBT em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, foram agredidos por guardas municipais na madrugada de domingo (26). As vítimas relatam que os agentes chegaram mascarados, sem qualquer abordagem, e iniciaram uma ação violenta com spray de pimenta e cassetetes, atingindo frequentadores e funcionários. O estabelecimento, que possui alvará para funcionar 24 horas, foi alvo da ação policial.

Motivação homofóbica e racista alegada pelas vítimas

Luan Vinícius, sócio do bar, classificou o ocorrido como um “ato homofóbico”, destacando que a maioria do público presente era gay. Hiago Benevenuto, um dos feridos, também associou a agressão à homofobia e ao racismo, afirmando que foram tratados “como se fossem criminosos, mas não fizemos nada”. Ele mostrou marcas das agressões em seu corpo. O garçom Nathan Richard relatou ter levado “cassetadas no braço e na cabeça” e foi expulso de uma padaria onde tentava se esconder, afirmando ter ficado “quase inconsciente”.

Ação policial continuou mesmo com fechamento do bar

Jobson dos Santos, dono do bar, disse que a violência continuou mesmo após ele ter iniciado o fechamento do estabelecimento com a chegada dos agentes. “Eles jogavam spray de pimenta na cara de todo mundo e batiam nas pessoas. Nem me pediram para mostrar o alvará”, relatou, acrescentando que, ao procurar a sede da Guarda, viu funcionários “rindo, como se fosse algo vantajoso”.

Investigação e afastamento dos guardas

A Polícia Civil informou que vai investigar o caso e que os agentes envolvidos serão intimados para prestar depoimentos. Em nota, a Prefeitura de Cabo Frio comunicou que a Secretaria de Segurança e Ordem Pública instaurou sindicância para apurar a conduta dos guardas e afastou os envolvidos das atividades operacionais até o fim do procedimento. A prefeitura garantiu que “todos os fatos serão analisados com transparência, e as medidas cabíveis serão adotadas, caso necessário”, e se colocou à disposição das autoridades policiais.