A TVC mais uma vez mostrou o peso real da comunicação independente.
Após denunciar a licitação de R$ 106,1 milhões da SOMAR, revelando uma sequência de desclassificações que terminou favorecendo uma empresa que originalmente ocupava o 18º lugar, o assunto ultrapassou os limites do município e ganhou corpo nas redes e em veículos estaduais.
A repercussão foi imediata:
sites independentes replicaram, perfis políticos se manifestaram e, no ponto mais sensível para o governo municipal, Garotinho entrou na discussão.
Para o prefeito Washington Quaquá, essa é a pior vitrine possível. Garotinho tem público, tem alcance e sabe transformar uma denúncia local em crise institucional. Basta um post dele para o tema chegar à esfera estadual e colocar a gestão na defensiva.
O desconforto entre aliados foi visível.
A TVC apresentou documentos, recortes de edital e cronologia demonstrando que:
- dezenas de empresas foram desclassificadas de forma sucessiva
- a proposta mais barata, de R$ 79,5 milhões, foi ignorada
- a empresa habilitada estava ligada a delações da Lava Jato
- houve episódio absurdo: empresa recebeu 2h para enviar documentos e foi desclassificada em 2 minutos
Com a explosão do caso, veículos como Tempo Real RJ e PlatôBR reforçaram a denúncia, adicionando elementos e confirmando que o TCE-RJ já abriu análise técnica e que a própria SOMAR suspendeu a sessão enquanto os questionamentos são examinados.
E o cenário ficou ainda mais grave quando o deputado Filippe Poubel denunciou irregularidades na licitação de R$ 421 milhões da saúde.
Menos de 24 horas depois da denúncia dele, a prefeitura suspendeu o processo indefinidamente mais uma prova de que a pressão pública tem sido mais efetiva do que a atuação institucional.
Mas o ponto central da matéria não é apenas a repetição de denúncias em Maricá… é o contraste.
O caso de Santa Catarina quando o fiscal da lei decide agir..
A diferença de postura entre estados ficou ainda mais evidente esta semana.
Em Santa Catarina, a Polícia Civil prendeu o prefeito de Garopaba na Operação Coleta Seletiva, suspeito de fraude em contratos de lixo desde 2016. Não houve “nota oficial”, nem “suspensão temporária”. Houve ação:
- prisão preventiva do prefeito
- prisão de empresário e servidor público
- 16 mandados de busca e apreensão
- afastamento de secretários
- bloqueio de bens
A investigação avançou rapidamente e desmontou o esquema.
Enquanto isso, em Maricá:
- licitação de R$ 106 milhões sob suspeita
- licitação de R$ 421 milhões suspensa após denúncia
- contrato de publicidade com dano de R$ 1,5 milhão segundo o TCE
- irregularidades em contratos de obras e pavimentação
- empresa citada em Lava Jato habilitada
- TCE impedindo tentativas de atropelar o processo legal
E o que aconteceu além disso?
Somente suspensões administrativas e notas protocolares.
Conclusão inevitável
Em Santa Catarina, a lei age.
Em Maricá, a lei assiste.
Quem vem cumprindo o verdadeiro papel fiscalizador é a imprensa independente, puxada pela TVC, seguida por denúncias de parlamentares e repercussões de figuras de peso como Garotinho que agora se tornam parte dessa engrenagem de pressão pública sobre uma gestão marcada por repetidas suspeitas.