Impacto nas Grandes Indústrias
A combinação de um rebanho bovino em seu menor nível em 75 anos e o consequente aumento nos preços da carne tem levado grandes frigoríficos nos Estados Unidos a reavaliar suas operações. Empresas como JBS USA, Tyson Foods e Cargill anunciaram o fechamento de unidades e a redução de turnos de trabalho em diversas regiões do país. A JBS USA, por exemplo, encerrou as atividades de suas plantas em Souderton (Pensilvânia) e Memphis (Tennessee), além da unidade Swift Beef Company em Riverside (Califórnia) em anos anteriores. A Tyson Foods fechou seu frigorífico em Lexington (Nebraska), com capacidade para abater 5 mil bovinos por dia, e reduziu operações em Amarillo (Texas). A Cargill, por sua vez, fechou uma unidade de processamento de carne moída em Milwaukee (Wisconsin). Esses fechamentos retiram do mercado uma capacidade significativa de processamento, estimada em milhares de cabeças por dia, representando uma redução de cerca de 5% a 6% da capacidade nacional.
O Cenário do Rebanho Americano
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelam um rebanho total de bovinos e bezerros de 86,2 milhões de cabeças no início de 2026, o menor estoque em 75 anos. A situação é ainda mais crítica ao analisar o rebanho de vacas de corte, que caiu para 27,6 milhões de cabeças, o menor nível desde a década de 1950. O total de bezerros também atingiu o menor volume registrado desde 1941. Esses números são reflexo de anos de seca, altos custos de alimentação e liquidação de matrizes por pecuaristas durante períodos de crise climática. Apesar de sinais de recomposição, analistas preveem uma recuperação lenta, que poderá levar vários ciclos.
Aumento nos Custos e no Bolso do Consumidor
A escassez de gado elevou drasticamente o custo da principal matéria-prima para os frigoríficos. O preço médio do boi gordo para abate deve atingir um novo recorde em 2026, com projeções indicando US$ 235,75 por 100 libras de peso vivo, um aumento de aproximadamente 10,7% em relação a 2025 e cerca de 26% em dois anos. Para um animal de 635 kg, o custo de aquisição para os frigoríficos saltou de cerca de US$ 2.620 em 2024 para aproximadamente US$ 3.300 em 2026. Esse aumento impacta significativamente a indústria, uma vez que o valor do animal representa entre 80% e 90% dos custos operacionais. A menor oferta já se reflete no consumidor, com o preço médio da carne bovina fresca atingindo US$ 9,64 por libra-peso em abril de 2026, e a carne moída registrando recordes, com o preço médio chegando a US$ 7,06 por libra-peso em maio, um aumento de cerca de 58% desde 2020.
Novas Ameaças Sanitárias
Além das dificuldades econômicas, a pecuária norte-americana enfrenta uma nova ameaça sanitária: a mosca-varejeira-do-novo-mundo. O USDA suspendeu temporariamente a importação de bovinos do México após a confirmação de novos focos próximos à fronteira. A disseminação dessa praga em território americano poderia aumentar ainda mais os custos de produção, exigir investimentos em vigilância e controle sanitário, e impor restrições ao trânsito de animais. Especialistas alertam que a reintrodução da mosca-varejeira representaria um risco significativo para uma cadeia pecuária que movimenta mais de US$ 100 bilhões anuais. Para combater essa ameaça, os Estados Unidos ampliaram o monitoramento nas fronteiras e reforçaram a cooperação com o México e países da América Central, utilizando estratégias de monitoramento e liberação de insetos estéreis para interromper o ciclo reprodutivo do parasita.