Crise na piscicultura: Acordo com Vietnã e ameaça de classificação como espécie invasora colocam tilápia brasileira em xeque

A piscicultura brasileira, um dos setores mais pujantes do agronegócio, enfrenta um cenário de incertezas em 2026. Após anos de crescimento constante, a produção nacional de tilápia caminha para a estagnação, pressionada por um acordo comercial firmado entre o Brasil e o Vietnã que facilitou a entrada massiva do pescado asiático no mercado interno.

Impacto do acordo comercial na produção nacional

O pacto, celebrado em julho de 2025, permitiu a entrada de tilápia vietnamita em troca da exportação de carne bovina brasileira. A consequência foi imediata: a importação de filé de tilápia saltou de 1,4 mil toneladas em janeiro para 4,9 mil toneladas em agosto de 2026. Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura, essa invasão de mercado consome o espaço de crescimento dos produtores locais, ameaçando milhares de empregos, especialmente no Oeste do Paraná.

Queixas de dumping e falta de isonomia sanitária

Produtores brasileiros apontam dois entraves principais. O primeiro é a disparidade sanitária: o peixe vietnamita não seguiria os mesmos padrões rigorosos de controle exigidos no Brasil. O segundo é a suspeita de dumping. Com custos de produção equivalentes aos paranaenses, o produto asiático chega ao Brasil com preços drasticamente reduzidos, o que sugere a existência de subsídios estatais vietnamitas, tornando a disputa de mercado desigual e politicamente desfavorável ao produtor nacional.

A polêmica sobre a classificação de espécie invasora

Para agravar a situação, o governo estuda classificar a tilápia como espécie invasora, atendendo a compromissos internacionais como a COP 15. A medida gera pânico no setor, pois, se oficializada, bancos e grandes investidores poderiam cessar o financiamento da atividade devido a protocolos de sustentabilidade. Embora o Ministério do Meio Ambiente defenda a medida como técnica e preventiva, o mercado teme que o rótulo de “danoso ao meio ambiente” afaste investimentos e inviabilize o cultivo.

O medo de precedentes punitivos

O temor dos piscicultores é reforçado por casos de fiscalização rigorosa, como o de um criador no Espírito Santo que foi obrigado a erradicar sua produção de pirarucu após o Ibama reclassificar a espécie. O setor teme que normas federais sejam utilizadas por órgãos estaduais de forma ideológica, punindo produtores que mantêm sistemas de criação seguros e geram renda no campo, servindo como um alerta para o futuro da tilapicultura no país.