A sessão da Câmara Municipal de Maricá, realizada na quarta-feira (26/06), foi marcada por momentos de tensão, ofensas e declarações polêmicas que repercutiram negativamente, especialmente entre os profissionais de imprensa que acompanham o Legislativo.
A primeira ocorrência ocorreu entre o vereador Luiz Felipe (Hadesh), líder do governo, e o vereador Ricardinho Netuno, da oposição.
Em um embate acalorado, Hadesh dirigiu ofensas a Netuno, chamando-o de “vagabundo”. Em resposta, Netuno rebateu afirmando que Hadesh “nunca trabalhou”.
O nível da discussão fugiu ao decoro parlamentar, com frases que mais lembravam brigas de bar ou biroscas populares do que o ambiente de um parlamento. O episódio escancarou o abandono do Regimento Interno da Casa e acendeu o sinal de alerta sobre a preservação da imagem institucional do Legislativo.
Já na sequência da sessão, uma segunda situação de conflito envolveu o vereador Felipe Auni e a imprensa local. Durante seu pronunciamento, Auni afirmou: **“A mídia burra publica fake news”, sem nomear nenhum veículo ou jornalista.
A declaração, generalizada e ofensiva, causou indignação imediata entre os profissionais da comunicação presentes.
O repórter do portal Maricá Total, incomodado com a fala, questionou o vereador sobre a generalização e se suas críticas se estendiam à imprensa de Maricá, responsável por cobrir, diariamente, as sessões da Câmara.
Confrontado, Auni tentou esclarecer que sua crítica era direcionada à chamada “grande mídia nacional”, como Rede Globo, Record e SBT e declarou: “Em Maricá não existe grande mídia”, tentando isentar os veículos locais de sua declaração.
O jornalista então rebateu de forma direta: “Se Maricá não possui grande mídia, quem cobre as sessões da Câmara? Quem divulga o trabalho dos vereadores?”, evidenciando a contradição do parlamentar e reforçando o papel essencial da imprensa local na cobertura e na fiscalização do poder público.
Ao notar a repercussão negativa de sua fala, o vereador Felipe Auni se dirigiu ao jornalista Ricardo Cantarelle, da TVC, que estava no plenário focado em apurar informações sobre o Fundo Soberano com o vereador Netuno. Auni afirmou que foi mal interpretado e que respeita a imprensa local: “Nunca tive problema com os profissionais da cidade, jamais desrespeitei a imprensa maricaense”, disse ele, tentando minimizar os danos.
Apesar das tentativas de recuo, os dois episódios revelam um padrão preocupante: críticas genéricas e sem identificação clara acabam atingindo injustamente toda a imprensa, que tem atuado com seriedade e compromisso na cobertura das ações da Câmara Municipal.
Vale lembrar que a veiculação de informações falsas — as chamadas “fake news” — não possui um tipo penal próprio, mas pode se enquadrar em crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação), além de configurações de crime eleitoral em determinadas circunstâncias.
Situação semelhante já havia ocorrido com o próprio vereador Ricardinho Netuno, que em uma fala feita no passado criticou um veículo de imprensa sem identificar qual, o que também gerou mal-estar com os profissionais da área.
Por isso, fica o alerta necessário a todos os vereadores: quando houver qualquer crítica a veículos de comunicação, que ela seja feita de maneira clara e com a devida identificação do veículo ou profissional envolvido.
A imprensa local é parte essencial da democracia e da transparência do poder público — e merece respeito.
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