DA “CANGALHA” AO “GOLPE”: ALDAIR ROMPE COM O GOVERNO, CHAMA QUAQUÁ DE “TRAIDOR” E A GUERRA POR 2028 COMEÇA PELA CÂMARA

Por Ricardo Cantarelle

A eleição acabou. A guerra em Maricá, não. Ela só tirou o disfarce.

Em poucos dias, o grupo que governa a cidade deixou de trocar indiretas e passou a trocar acusações com nome, sobrenome e data de validade. A TVC reconstitui a sequência, na ordem em que aconteceu.

O grito antes da votação

Na reta final da campanha, o presidente da Câmara Municipal, Aldair de Linda, rompeu o silêncio. O contexto era a retirada de apoios à candidatura de seu filho, Allyson Elias, a deputado estadual. A frase foi dura: “Hoje em Maricá a gente não vive uma democracia, a gente vive uma ditadura.” Aldair reforçou que o voto pertence ao eleitor e é secreto. É uma crítica política, feita por quem se sentia atingido, e assim deve ser lida.

O que saiu das urnas

Allyson Elias terminou como o candidato a deputado estadual mais votado em Maricá, com, 16.256 conforme apuração do TRE-RJ.

O resultado veio depois de uma campanha marcada por disputas internas e por movimentação de apoios. Parte do meio político o lê como resposta às disputas da campanha. É uma leitura política, não uma constatação.

A “verdade” de Fabiano.

O ex-prefeito Fabiano Horta não demorou. Publicou um vídeo comemorando: “Na verdade, a nossa campanha venceu. Venceu só, venceu.” E seguiu: “Nós ganhamos e vamos melhorar e trabalhar por Maricá. Vai de lavada!”

A frase pesa por vir depois de uma disputa de realinhamentos dentro do mesmo campo político. Fabiano, porém, não faz no vídeo nenhuma acusação explícita a Washington Quaquá. O que há ali é comemoração e uma leitura própria do resultado.

As “cangalhas” de Quaquá

A resposta do prefeito veio em vídeo. É preciso deixar claro: Quaquá não cita nominalmente Aldair, Fabiano ou Allyson em nenhum momento.

Ele diz: “Eu me livrei nessa eleição das cangalhas que eu tinha que carregar.” E detalha: cangalhas “cheias de problemas, cheias de esgoto em cima, de gente que se apodera da máquina para benefício próprio”. Fecha com um “melhor só do que mal acompanhado” e com a afirmação de que se livrou das “más companhias”.

São declarações de Quaquá, e a TVC não afirma a quem se destinam. Quem seriam as “cangalhas”, ele não disse.

A resposta: “golpe”, “traidor” e o fim da base

Quem se sentiu destinatário não deixou por menos. Em vídeo, Aldair de Linda respondeu e, ao contrário do prefeito, falou com todas as letras.

Sobre as “cangalhas”, devolveu na mesma moeda: “Ele disse que tirou um peso. Eu tirei um peso. Eu tirei uma pedra. Porque ele, sim, que é um traidor. Eu não.” Chamou o episódio de “golpe” e disse que o prefeito o acusou, “no último momento”, de ter traído o governo. Contou também que “nunca pediu um voto” para Fabiano Horta enquanto apoiava Diego Quaquá.

A fala mira o áudio e a articulação que circularam nas redes antes da eleição, que a TVC registrou como não confirmados.

O trecho mais explosivo é político: “Eu também era da base do governo. Não sou mais hoje. Hoje eu não tenho nada de esquerda nem de direita. Eu sou o povo de Maricá.” Dito pelo presidente da Câmara, isso é o anúncio de que o governo perdeu, no Legislativo, o homem que o sustentava.

Aldair foi além. Afirmou que o governo estaria exonerando “centenas de famílias” que, segundo ele, ajudaram a eleger o prefeito.

A TVC não tem, até agora, confirmação oficial desse número, e a Prefeitura tem espaço para responder. Disse ainda que “tudo que está funcionando foi licitado no governo do Fabiano Horta”. Disse que o “castelo medieval nem foi construído, mas já está caindo” e perguntou: “Cadê todos os federais que ele ia fazer?” A frase se refere a projeções eleitorais atribuídas ao grupo do prefeito.

Aldair afirma que “esse golpe já vem desde a época” em que Quaquá lançou uma candidatura para “diminuir os votos de Renato”, para que o deputado Renato Machado não fosse eleito.

O relógio da Câmara

O ponto mais delicado é institucional. Aldair mencionou que vereadores já estariam movimentando nas redes a eleição da Mesa Diretora, em 2 de dezembro. A resposta foi direta: “Nada é eterno nessa vida”, mas “eu vou ser presidente dia 31 de dezembro”. E lembrou: “Eu fui presidente cinco vezes nessa casa.”

O relógio de 2028

O prefeito afirmou: “Essa não é a minha eleição, a eleição de 28 é que é a minha eleição.” Falou em “limpar a máquina” e em tirar dela quem “boicota” os projetos já licitados.

Aldair, em vídeo afirma ” 28 está muito perto.”

O que fica no ar

A eleição de 2026 não encerrou a disputa. Aldair falou em ditadura e em golpe. Fabiano falou em verdade. Quaquá falou em esgoto, em “cangalhas” e em “a minha eleição”.

Até agora, o prefeito não respondeu publicamente às acusações de Aldair, e a TVC mantém o espaço aberto para ele.

A pergunta que a política local não pode mais adiar é qual lado conta os votos da Câmara em 2 de dezembro. Quem fala em 2028 já está jogando com o calendário, e dois anos, em Maricá, são um prazo curto.

A TVC mantém espaço aberto para manifestação de Aldair de Linda, Fabiano Horta, Allyson Elias e Washington Quaquá, além da Prefeitura de Maricá.