A nova tática do marketing político para as próximas campanhas eleitorais prioriza a imagem carismática e as **dancinhas nas eleições** para conquistar votos decisivos
As campanhas eleitorais brasileiras estão passando por uma transformação notável, com uma tendência que promete dominar as próximas disputas: a dos **candidatos dançando nas eleições**. O que antes seria impensável para figuras políticas de alto escalão, hoje se tornou uma estratégia de comunicação cada vez mais comum nas redes sociais.
De senadores experientes a pré-candidatos à presidência, a adesão às coreografias e vídeos curtos, especialmente no TikTok, sinaliza uma mudança profunda na forma como os políticos buscam se conectar com o eleitorado. Este fenômeno, que ganhou força nas eleições municipais de 2022, aponta para um cenário onde as **eleições de 2026** serão as ‘eleições do TikTok’.
Essa guinada no marketing digital eleitoral reflete uma busca incessante por engajamento e simpatia, visando superar a polarização e alcançar os chamados ‘swing voters’, os eleitores indecisos que podem definir o pleito, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
A ascensão do TikTok na política brasileira
A crescente influência do marketing digital nas campanhas políticas tem levado os estrategistas a apostarem em conteúdos que, em outros tempos, soariam no mínimo estranhos. Se antes o que se valorizava mais eram as propostas e o debate político, agora a prioridade é **construir uma imagem carismática** para vencer a barreira da rejeição, um fator crucial nas disputas atuais.
A polarização entre esquerda e direita solidificou as bases de apoio e rejeição, deixando um percentual de votos que pode decidir uma eleição, girando entre 3 e 5 pontos percentuais. Para ganhar esses eleitores, os chamados ‘swing voters’, que não possuem uma ideologia fixa e podem mudar de voto a qualquer momento, o importante é atrair a atenção, a qualquer custo.
Essa nova dinâmica coloca as plataformas de vídeo curto, como o TikTok, no centro da estratégia. Diferente de 2018, fortemente influenciada pelo Facebook, e 2022, pelo Twitter, as **eleições de 2026** prometem ser moldadas pela linguagem rápida e visual das dancinhas e coreografias, onde o **candidato dançar nas eleições** vira uma ferramenta poderosa de comunicação.
Dançando à direita e à esquerda: Exemplos recentes
A tendência das **dancinhas políticas** não escolhe lado. O senador baiano pelo PT, Jacques Wagner, por exemplo, quase caiu do palco ao tentar descer até o chão em uma coreografia ao lado do governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT), pré-candidato à reeleição, em um evento em Feira de Santana. Seu principal adversário na disputa, ACM Neto (União), também arriscou passos mais fáceis em um vídeo de lançamento de seu jingle, com uma estética característica do axé.
No campo da direita, a estratégia também se fez presente. Em um seminário de comunicação do PL, o influenciador Pulga Chora Boy apareceu fazendo o “passinho do Pulga” com uma camiseta onde estava escrito “Fora Lula”. Mais tarde, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) postou um vídeo em suas redes sociais, repostado pelo perfil oficial do partido, onde aparece tentando aprender os movimentos da dancinha.
Apesar de inicialmente crítico, o pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também aderiu à tática. Ele chegou a gravar um vídeo alertando para o que chamou de despolitização das eleições, afirmando que as dancinhas tratariam os “eleitores como idiotas”. Contudo, durante a campanha municipal de 2024, o próprio Renan estrelou um vídeo para a então candidata a vereadora em São Paulo, Amanda Vettorazzo (União Brasil), em uma sátira com Kim Kataguiri e Arthur do Val, com direito a paródia de É o Tchan, demonstrando que a tática de ver o **candidato dançar nas eleições** é irrecusável.
Mais do que dancinhas, uma estratégia antiga repaginada
Ao analisar o fenômeno, o professor de Marketing Político da FGV, João Ricardo Matta, avalia o uso das danças e coreografias nas campanhas políticas como uma evolução de algo que existe há décadas. A preocupação em parecer jovial e esbanjar vitalidade não é nova. Matta lembra, por exemplo, do democrata John Kennedy, que venceu Richard Nixon em 1960, em parte por sua imagem mais jovem, bonita e carismática no primeiro debate televisionado nos EUA.
No Brasil, o professor recordou as eleições de Collor, em 1989, que se destacou por sua juventude e boa aparência frente a um Lula com estilo ainda sindicalista. A primeira vitória de Lula, em 2002, só veio, segundo Matta, quando o candidato mudou o visual e adotou a postura “Lulinha paz e amor”. Essas mudanças de imagem, embora em formatos diferentes, já buscavam a mesma conexão emocional que as **dancinhas nas eleições** buscam hoje.
Matta não descarta a possibilidade de o presidente e pré-candidato à reeleição, Lula (PT), aderir à dança em breve. “Eu não duvido que o Lula esteja fazendo alguma dancinha, daqui a um mês, ou até menos. Ele precisa mostrar essa vitalidade, algo que para ele é um calcanhar de Aquiles”, considerou o professor. Já Flávio Bolsonaro, apesar de parecer “meio travado” na dança, sua autenticidade pode até ser positiva para a imagem, complementou Matta.
Conquistando os “swing voters”: O voto da simpatia
Há uma parcela do eleitorado com voto imutável, seja por convicção ou por forte rejeição ao adversário. No entanto, o professor Matta destaca que existem os indecisos, os chamados ‘swing voters’, que geralmente se declaram “não estou nem aí para a política”. Essas pessoas não são alcançadas por propostas ou discussões sobre economia, saúde ou educação. É nesse vácuo que as **dancinhas na estética TikTok** entram em cena.
A finalidade é clara: “tentar ganhar a simpatia e fazer o candidato parecer ‘gente boa’”, explicou Matta. Para aqueles que veem essa nova tendência como uma “idiotização” da política, o professor alerta que a estratégia pode ter vindo para ficar. Em um cenário de eleições com caráter plebiscitário, de “nós contra eles”, tende a vencer quem tiver menos rejeição. E quanto mais simpático um candidato parecer, menos rejeitado ele tende a ser.
“As pessoas estão votando contra aqueles de quem elas gostam menos, tanto na direita quanto na esquerda”, afirmou Matta. Ele conclui que, embora alguns considerem ridículo ver um **candidato dançar nas eleições**, é uma tática consciente para chamar a atenção de um público que não se importa com a política tradicional. “O nome do jogo é ‘chamar a atenção’, e para isso não tem certo nem errado. É algo consciente, feito para angariar a simpatia de um público que decide as eleições”, finalizou o especialista.