A denúncia feita pelo vereador Ricardinho Netuno expõe uma realidade grave em Maricá: coletores de lixo do município estariam sendo obrigados a retirar restos mortais no cemitério municipal e a manipular lixo hospitalar contaminado, atividades que não fazem parte da planilha operacional da categoria e que ferem frontalmente a legislação trabalhista e sanitária.
Desvio de função e risco à saúde
Segundo o vereador, garis estão realizando tarefas que deveriam ser executadas por equipes especializadas:
Retirada de ossadas dentro do cemitério municipal.
Manipulação de lixo hospitalar, incluindo seringas e materiais contaminados, o que coloca em risco a saúde desses trabalhadores.
Normas nacionais proíbem esse tipo de atividade para a categoria de coletores de lixo.
A exposição dos garis a ossadas e resíduos hospitalares sem proteção adequada configura um desumano, insalubre e ilegal.
Contratos milionários sob suspeita
A denúncia ganha ainda mais gravidade quando o vereador revela os contratos da prefeitura:
Adesso Participações: quase R$ 4 milhões para gerir resíduos hospitalares mas, segundo Ricardinho, a empresa não estaria executando o serviço.
União Norte Fluminense: contrato de R$ 44 milhões para coleta de lixo residencial, mas permitindo que seus funcionários sejam desviados de função para manipular ossadas e lixo contaminado.
Responsabilidade do Poder Público:
A prefeitura, como administradora do cemitério municipal, é responsável por estabelecer e fazer cumprir as normas de conduta, segurança e dignidade no cemitério.
O ato de forçar um gari a mexer com ossadas de forma inapropriada pode gerar danos morais para o trabalhador, além de possíveis sanções legais e administrativas para a administração pública.
Essa prática fere a legislação trabalhista, pode configurar improbidade administrativa e levanta dúvidas sobre a fiscalização desses contratos milionários.
Insanidade do Trabalho:
Trabalhar com restos mortais sem proteção adequada e em condições precárias é considerado uma atividade insalubre, o que confere aos trabalhadores o direito à insalubridade e a proteção legal referente a essas condições de trabalho.
O prefeito ausente
Enquanto problemas graves se acumulam na cidade, o prefeito Washington Quaquá aparece em viagem pela Europa, anunciando mais um “fabuloso projeto” para Maricá somando-se às dezenas de promessas já feitas, mas sem execução concreta.
A ausência do gestor em meio a denúncias de exploração e ilegalidade com trabalhadores reforça a percepção popular de uma administração distante da realidade e mais focada em autopromoção do que em resolver os problemas urgentes da cidade.
Violência expõe contradições
No mesmo período, a cidade que o prefeito insiste em chamar de “a mais segura” registrou o assassinato de um morador nativo em um bairro nobre da Barra de Maricá, iniciando a semana com um um homicídio.
O episódio abre a semana com mais uma tragédia, contradizendo diretamente o discurso oficial da gestão petista.
Indignação popular
Para a população, a combinação é explosiva: garis submetidos a atividades degradantes, contratos milionários sem transparência, violência em alta e um prefeito distante da cidade.
A revolta cresce a cada dia, com cidadãos questionando se Maricá vive hoje sob uma gestão que prioriza marketing político em vez de responsabilidade social.
Reportagem Maricá Info de 2014 já mostrava que a Lei para prefeitura só existe no papel.