Por Ricardo Cantarelle
Candidato ao Governo do Rio leva “exército de apoiadores” ao reduto petista e prega a “libertação” do município; prefeito rebate em vídeo e amplia a guerra para São Gonçalo
Maricá acordou sob um clima de trincheira política. O candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, cruzou a fronteira do “país” que Washington Quaquá construiu à base de royalties do petróleo e desembarcou na cidade com uma tropa de apoiadores, conclamando a população local a se somar à sua candidatura para, nas palavras usadas por ele em campanha, encerrar o que classifica como o “reinado do PT” no município. O recado foi direto: sem a adesão da população maricaense, disse Ruas, não há como “trocar a cabeça da coroa” que hoje governa a cidade.
Para Quaquá, o gesto teve o peso simbólico de um ataque militar. Em vídeo gravado em resposta, o prefeito incorporou o tom de quem responde a uma ofensiva e não escondeu a intenção de revidar à altura inclusive fora do território que administra.
Na gravação obtida pela TVC, um apoiador de Douglas Ruas abre a peça com a artilharia típica do discurso antipetista: “Infelizmente, você sabe que quem está governando o Maricá hoje é o PT, que já causou muito mal no nosso país”, afirma, antes de pedir “um voto de confiança para tirar eles” nas urnas de outubro.
É na sequência que o vídeo muda de eixo e de alvo. Quaquá não apenas rebate a provocação, como desloca o duelo para São Gonçalo, cidade vizinha onde Douglas Ruas também tenta construir base eleitoral. “Eu vou te desafiar agora, você vai perder no primeiro turno e nós vamos botar um prefeito decente em São Gonçalo”, dispara o prefeito de Maricá, prometendo que o novo governo local terá como parceiro o próprio Lula na reativação da indústria naval da região.
O prefeito não poupou acusações. Chamou o adversário de “malandro” e “ingrato”, afirmou que o grupo de Ruas “torrou o dinheiro da CEDAI” e questionou contratos da prefeitura supostamente beneficiando empresas ligadas ao próprio grupo político inclusive, segundo Quaquá, com o filho do prefeito atuando em obras da própria gestão do pai.
A fala não veio acompanhada de documentos ou processos citados nominalmente; trata-se, até o fechamento desta matéria, de acusação verbal feita em vídeo de campanha, sem confirmação documental independente apurada pela TVC.
Quaquá reivindicou ainda para si o mérito de ter destinado à cidade vizinha parte dos R$ 800 milhões em royalties do petróleo “não para vocês”, frisou, em referência direta ao grupo de Douglas Ruas , e fechou o vídeo unindo os nomes de Lula e Eduardo Paes à promessa de “moralizar” tanto São Gonçalo quanto o Estado.
O episódio expõe o que já vinha se desenhando nos bastidores da campanha ao Palácio Guanabara: Maricá deixou de ser apenas um município a ser administrado por Quaquá para se tornar peça central na disputa estadual, servindo de palco simbólico para o embate entre o campo de Eduardo Paes e os candidatos que tentam furar o bloco governista na Região dos Lagos e na Baixada.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o confronto entre Douglas Ruas e Washington Quaquá que já extrapola os limites administrativos de ambos sinaliza que a disputa pelo governo do Rio terá em Maricá um de seus capítulos mais ácidos.
A TVC segue apurando os desdobramentos.