Dois prefeitos, duas cidades, um mesmo roteiro. Eduardo Paes no Rio, Washington Quaquá em Maricá. Amigos, aliados, e na prática iguais.
Ambos alardeiam discursos populares, se dizem próximos das comunidades, mas suas ações apontam para o oposto: desemprego em massa, truculência institucional e um modelo de gestão que lembra os tempos sombrios do Brasil colonial.
No Rio, Eduardo Paes desemprega trabalhadores do comércio informal com um decreto que impõe proibições severas na orla tudo isso sob o pretexto de “organizar a cidade”.
Na prática, centenas de pais e mães de família estão sendo impedidos de trabalhar, sem diálogo, sem alternativa. Quem ousa protestar, sente o peso da Guarda Municipal agindo como um moderno capitão do mato, intimidando, multando e afastando quem ousa sobreviver fora das regras do “coronel”.
Paes foi claro: “Prefiro perder eleição do que ver cidade esculhambada”. Mas esculhambada está a vida de quem tenta manter o sustento com dignidade. O decreto veta até mesmo bandeiras, música, nomes em barracas e bebidas em vidro.
Comerciantes, como o dono da Barraca 96, denunciam a perseguição: “Eles vêm todos os dias intimidar. O cliente não reconhece mais a barraca só com número.”
Em Maricá, Quaquá repete o mesmo enredo.
Em sete meses de mandato, nenhuma grande obra entregue, mas muito dinheiro público já foi destinado a apadrinhamentos, projetos pessoais e contratos de aliados. Trabalhadores também foram demitidos em massa, principalmente de programas sociais extintos logo após sua posse.
E o prefeito que se diz amigo do povo se esconde da imprensa independente, evitando questionamentos sobre suas contradições.
A simbologia é cruel e clara: discursos populistas embalados com sorrisos e promessas para as próximas eleições, enquanto o povo vive à base de migalhas, vigilância e repressão.
Durante a campanha, esses prefeitos surgem como salvadores. Abraçam crianças nas favelas, distribuem sorrisos e juram que lutam pelos pobres. Mas na prática, tiram empregos, reprimem manifestações e seguem o modelo de gestão onde o povo serve e o poder manda.
O desabafo de uma mulher negra, trabalhadora informal, ilustra essa dor: “Ele me tirou o sustento, mandou a Guarda me bater, mas na eleição vai na minha comunidade tirar foto como se fosse meu herói.”
O povo precisa acordar. Não se trata mais de ideologia, mas de sobrevivência. Os menos favorecidos não podem continuar sendo usados como escada política. Não é preciso confronto, mas inteligência coletiva. Organização, união e, acima de tudo, consciência na hora do voto.
Maricá já entendeu o recado. Quando Eduardo Paes chamou a cidade de “merda” em conversa com Lula, Quaquá em vez de se posicionar concedeu a ele o título de cidadão maricaense, como quem diz: “fale o que quiser, a gente engole”.
Mas o povo não engole mais.
Não quer mais ser escravo de promessas.
Não quer mais aceitar o chicote com cara de campanha.
Porque o povo unido… jamais será vendido.