Empresa de Rope Jump em SP Faturaria R$ 15 Mil em Dia de Acidente Fatal; Grupo Não Tinha Alvará

Lucro Estimado e Operação Irregular

No dia em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), o grupo organizador, identificado como Entre Cordas, planejava realizar entre 80 e 100 saltos. Com um valor de R$ 180 por salto e um adicional de R$ 110 para gravações com câmeras GoPro, a arrecadação bruta estimada para o dia ultrapassava R$ 15 mil.

Apesar da estrutura comercial e do volume financeiro, os responsáveis pelo evento admitiram à Polícia Civil que a empresa não possuía CNPJ, alvará municipal ou qualquer autorização formal para operar na ponte. Comprovantes de transações bancárias apreendidos reforçam a natureza lucrativa da atividade.

Versões dos Envolvidos e Falhas na Segurança

Luis Felipe, um dos instrutores presos, classificou o ocorrido como uma “fatalidade” e afirmou que a equipe atua há cerca de um ano, argumentando que o rope jump não possui regulamentação específica no Brasil. Ele disse que todos os saltos anteriores haviam sido fiscalizados e que não compreende como o acidente aconteceu.

Maicon, outro instrutor, declarou não saber como a falha na corda não foi percebida antes do arremesso de Maria Eduarda, não sabendo precisar a responsabilidade pela checagem final. Vitor de Freitas, que auxiliou no lançamento da vítima na modalidade “aviãozinho”, afirmou que sua função era equipar os clientes e dar o impulso inicial, e que o procedimento de colocação da corda era padrão, sem registros anteriores de acidentes.

Dinâmica do Acidente e Prisão Preventiva

A investigação aponta que Maria Eduarda seria a primeira a realizar o salto na modalidade “aviãozinho”, onde o praticante é lançado pelos instrutores. Vídeos de testemunhas mostram a jovem sendo lançada em queda livre de aproximadamente 30 metros, sem qualquer conexão com o sistema de segurança de cordas. A Justiça converteu a prisão em flagrante para preventiva, citando a periculosidade da conduta e a necessidade de garantir a ordem pública. O caso segue em investigação pela Delegacia Seccional de Limeira.