De aliado afastado a parceiro de conveniência: ex-prefeito retoma sintonia com Quaquá, apaga passado recente de críticas e abre mão do povo em nome do projeto de poder. Enquanto isso, Maricá afunda em fome e desemprego.
O ex-prefeito de Maricá, Fabiano Horta, está de volta ao xadrez político em grande estilo: realinhado ao atual prefeito Washington Quaquá, mesmo após ser duramente criticado por ele, planeja agora alçar voos mais altos com os olhos cravados no governo do estado do Rio de Janeiro.
A mudança de postura chamou a atenção. Quaquá, que não economizou ataques à gestão de Fabiano, foi o primeiro a desmontar políticas sociais implantadas durante o mandato anterior, desativando projetos estratégicos e promovendo um desmonte que deixou centenas de trabalhadores desempregados.
Ainda assim, o que parecia um rompimento irreversível se mostrou apenas um interlúdio conveniente no enredo do poder.
A aproximação entre os dois hoje é explícita, estratégica e para muitos vergonhosa.
Uma das imagens mais simbólicas dessa reaproximação circula nas redes: Fabiano Horta abraçado a Eduardo Paes, prefeito do Rio que, em declaração pública, já classificou Maricá como “uma MERDA., revelando o total desprezo pela cidade onde Horta nasceu e construiu sua trajetória política.
A imagem não caiu bem entre os maricaenses, que veem no gesto mais um sinal de abandono e traição.
Apesar da alta aprovação que seu governo teve no passado, a população não esqueceu que Fabiano se calou diante da fome, do desemprego e do desmonte social promovido por Quaquá preferindo agir nos bastidores do jogo político a enfrentar o sofrimento real do povo que o elegeu.
Para muitos, Horta deixou de ser “filho da terra” para se tornar apenas mais uma peça no tabuleiro da política de balcão, onde cargos, acordos e alianças valem mais que o bem-estar da população.
O próprio Fabiano, em vídeo recente, deixa escapar a intenção: fala em “mudanças necessárias” no estado, dando início à sua caminhada rumo ao Palácio Guanabara.
Mas quem o escuta com atenção percebe que não há proposta concreta, apenas um discurso genérico que ecoa ambição.
Ao mesmo tempo, a rejeição de Quaquá cresce, e ameaça contaminar todos ao seu redor inclusive o próprio Fabiano Horta, seu filho Diego Zeidan e sua mãe Rosângela Zeidan, que ainda tentam sobreviver politicamente na maré suja de denúncias, críticas internas e promessas rasgadas no governo municipal.
Dentro do PT, o clima também é de divisão: há quem defenda uma ruptura total com Quaquá e seu projeto pessoalista. Outros, movidos pela conveniência de mandatos e cargos, silenciam diante do que classificam nos bastidores como “chantagem política institucionalizada”.
Na ponta de tudo isso está o povo, traído, esquecido, e agora usado novamente como massa de manobra na construção de uma nova ambição: o governo do estado.
A pergunta que fica é: até onde Fabiano Horta está disposto a ir para alcançar o poder? E a que custo? Porque, pelo que se vê, o preço já começou a ser pago… por Maricá.