Paulo Roberto, preso em flagrante por gestos obscenos em público, foi solto após audiência de custódia e sua renúncia marca a posição da entidade contra o assédio.
O cenário da odontologia cearense foi abalado pela renúncia de Paulo Roberto, de 69 anos, da 1ª vice-presidência da Academia Cearense de Odontologia (ACO). A decisão foi tomada após o dentista ser acusado de importunação sexual em um bar na capital, Fortaleza, gerando grande repercussão.
A denúncia, que ganhou destaque na mídia, relata atos de cunho sexual em público, chocando as vítimas e demais frequentadores do estabelecimento. A saída de Paulo Roberto da importante entidade profissional reflete a gravidade das acusações e a postura da Academia diante de tais incidentes.
Os detalhes do ocorrido, a prisão em flagrante e as reações das instituições envolvidas foram amplamente noticiados, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Denúncia de Importunação Sexual e o Choque das Vítimas
A vítima, uma empresária que preferiu não se identificar, relatou ao g1 que estava com amigos em um bar de Fortaleza quando o dentista Paulo Roberto se aproximou. Após duas abordagens sobre cigarros, ele realizou gestos explícitos.
De acordo com o relato, Paulo Roberto colocou a mão dentro da bermuda e fez movimentos semelhantes à masturbação, chegando a cheirar a mão em seguida. Uma das amigas da vítima percebeu a cena e o confrontou, questionando a atitude do homem.
O grupo ficou em choque com a situação. A empresária descreveu a sensação de não acreditar no que estava acontecendo, mesmo sabendo que se tratava de um crime de importunação sexual. Momentos depois, já dentro do bar, as mulheres notaram que o dentista continuava os gestos enquanto as observava, e uma delas conseguiu filmar brevemente a ação, prova crucial entregue à polícia.
A Reação do Bar e a Prisão em Flagrante
Após o segundo episódio dos gestos, a empresária e suas amigas acionaram a gerência do Boteco do Ciço, o estabelecimento onde tudo ocorreu. A equipe do bar inicialmente solicitou que Paulo Roberto se retirasse, mas ele permaneceu em outra mesa, mais distante das vítimas.
Nesse momento, um cliente que se identificou como delegado de Polícia Civil interveio e deu voz de prisão ao dentista. Em seguida, a Polícia Militar foi acionada e confirmou os fatos no local, prendendo o homem de 69 anos sem resistência, conforme nota da corporação.
Paulo Roberto foi levado ao 2º Distrito Policial, onde foi autuado em flagrante por importunação sexual. Embora o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) tenha informado que o processo está em segredo de justiça, sabe-se que o dentista foi posto em liberdade após a audiência de custódia.
A Posição da Academia Cearense de Odontologia e do Estabelecimento
Inicialmente, a Academia Cearense de Odontologia (ACO) havia declarado não ter conhecimento formal dos fatos. Contudo, em uma nota posterior, a entidade confirmou ter acatado o pedido de renúncia de Paulo Roberto da 1ª vice-presidência.
A ACO enfatizou que “não compactua com qualquer forma de violência, assédio ou importunação sexual, manifestando respeito e solidariedade a todas as pessoas que denunciam situações dessa natureza”. A instituição também esclareceu que as responsabilidades cabem às autoridades competentes, com a observância do devido processo legal.
O Boteco do Ciço, por sua vez, divulgou uma nota de “profundo repúdio” ao episódio de importunação sexual, afirmando que sua equipe agiu prontamente para retirar o suspeito, que “insistiu em retornar”. O estabelecimento reforçou sua política de tolerância zero contra assédio e anunciou a intensificação de medidas de prevenção, incluindo treinamento de equipes e aprimoramento dos procedimentos de segurança.