Agentes acusados de roubar dinheiro em escombros após terremoto geram revolta na Venezuela
A Venezuela, ainda se recuperando de fortes terremotos que atingiram o norte do país, enfrenta um escândalo de corrupção que chocou a população. Agentes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), ligados ao regime chavista, foram acusados de roubar dinheiro encontrado entre os escombros de prédios destruídos.
Moradores indignados publicaram vídeos nas redes sociais, que rapidamente viralizaram, mostrando as acusações diretas contra os oficiais. A situação gerou uma onda de revolta e condenação em todo o país, evidenciando a fragilidade e a desconfiança em meio à crise humanitária.
O caso ganhou repercussão internacional, com o jornal espanhol El Debate noticiando as prisões e a reação do governo. As informações apontam para uma ação rápida das autoridades, buscando conter a indignação popular e reafirmar o compromisso com a justiça, conforme divulgado pelo El Debate.
Prisão e Reação Oficial do Regime Chavista
Quatro agentes chavistas foram presos na última terça-feira, 30 de maio, sob a acusação de se apropriar de “bens econômicos” em áreas atingidas pelo terremoto na Venezuela, especificamente no estado de La Guaira, próximo a Caracas. Essa região foi uma das mais afetadas pelos dois fortes tremores registrados em 24 de maio.
Além da prisão, os agentes foram imediatamente expulsos do CICPC, uma das principais forças de investigação criminal do país, e serão apresentados à Justiça. A medida busca enviar um sinal claro de intolerância a atos de corrupção, especialmente em um momento tão delicado para a nação.
Douglas Rico, diretor do CICPC, afirmou que os agentes “se desviaram de seus deveres” e se aproveitaram das ações de resgate e assistência humanitária. Segundo ele, a apropriação de valores em meio aos escombros é um desvio grave de conduta que não será tolerado.
A Indignação Popular e a Resposta do Governo
Os vídeos que circularam nas redes sociais foram cruciais para expor o problema. Eles mostram moradores confrontando um agente do CICPC, que estaria com dólares em espécie. Nas imagens, cidadãos aparecem rasgando o dinheiro e gritando “vergonha”, expressando a fúria e o desamparo diante da situação.
O caso provocou uma forte reação do ministro do Interior e número dois do chavismo, Diosdado Cabello. Em seu canal no Telegram, Cabello classificou os atos dos agentes como “indecentes e imorais” e prometeu que eles serão julgados e punidos rigorosamente.
Cabello reiterou o compromisso de ser “totalmente intolerante contra aqueles que, fazendo uso de seu uniforme, cometam atos contra a moral, contra os bons costumes” em meio à tragédia. A oposição venezuelana também criticou veementemente os “funcionários do regime” por se aproveitarem da vulnerabilidade das vítimas.
O Cenário da Tragédia e a Ajuda Humanitária
Os terremotos que abalaram a Venezuela, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram um rastro devastador. O presidente do Parlamento, o chavista Jorge Rodríguez, informou que o número de mortos já atingiu 2.295, com 11.267 feridos, evidenciando a escala da catástrofe.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada à ONU, estimou que até 6,76 milhões de pessoas podem ter sido afetadas, conforme declaração da porta-voz Zoe Brennan, citada pela agência EFE. As autoridades também registraram mais de 780 réplicas desde os tremores principais.
Apesar do cenário desolador, a solidariedade internacional tem sido notável. A Venezuela recebeu 707.063 toneladas de ajuda humanitária de diversos países, incluindo El Salvador, México, Suíça, Espanha e Estados Unidos, conforme informou a líder chavista Delcy Rodríguez.
Contudo, o impacto econômico é gigantesco. Uma avaliação preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), baseada em análise digital rápida por satélite, aponta que as perdas em moradias, veículos, comércios e outras estruturas chegam a impressionantes US$ 6,7 bilhões. Este contexto de destruição e necessidade torna o roubo de dinheiro por parte de agentes do Estado ainda mais revoltante para a população.