Escândalo no RJ: Auditoria Revela 80% de Funcionários Fantasmas na Secretaria de Trabalho e R$ 16,7 Milhões Perdidos Mensalmente

Auditoria no Rio de Janeiro expõe que outras secretarias também têm funcionários fantasmas, resultando em milhares de exonerações e economia de milhões para o estado.

Uma auditoria recente no governo do Rio de Janeiro trouxe à tona um cenário alarmante: a Secretaria de Trabalho do estado operava com cerca de 80% de funcionários fantasmas. Para cada pessoa realmente trabalhando, três não compareciam para bater o ponto, revelando uma grave falha na gestão pública.

Este problema, contudo, não se restringe a uma única pasta. O levantamento indica que várias outras secretarias estaduais também possuem equipes com pelo menos 50% de servidores que não cumprem suas funções, gerando um custo mensal exorbitante para os cofres públicos.

A descoberta levou a uma série de ações por parte da atual gestão, que busca sanear as finanças e a administração do estado. As medidas incluem exonerações em massa e a promessa de uma economia significativa, conforme informações divulgadas pelo g1.

O Escândalo dos Servidores Fantasmas no RJ

O relatório da auditoria, realizada pela atual gestão do governo do Rio de Janeiro, apontou que a Secretaria de Trabalho tinha uma taxa chocante de 80% de funcionários fantasmas. Esta situação já havia sido observada em casos anteriores, como na equipe do ex-secretário Patrique Welber, em 2022.

A irregularidade se estende a outras pastas importantes. Secretarias como Esporte e Lazer e Turismo apresentavam o mesmo padrão, com três servidores ausentes para cada um presente. A taxa de faltas superava os 50% em Agricultura, Ciência e Tecnologia, Assistência Social e Casa Civil.

Mesmo em Saúde e Desenvolvimento Social, o problema era grave, com quatro a cada dez funcionários não batendo ponto. Até o momento, apenas 20 dos 78 órgãos foram auditados, mas o custo já é impressionante, os funcionários fantasmas custavam R$ 16,7 milhões por mês, segundo o relatório.

Ações do Governo para Sanear as Contas

Diante do cenário, o Governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou medidas drásticas. Desde março de 2026, quando o desembargador Ricardo Couto assumiu o governo interinamente, mais de 4 mil comissionados foram exonerados.

A expectativa é que esse número chegue a 6 mil até o final do ano, com uma projeção de economia de mais de R$ 230 milhões até o final do ano. Auditorias continuam sendo realizadas em secretarias estaduais e entidades da administração indireta, incluindo empresas estatais.

Em maio, 2,7 mil comissionados já haviam sido exonerados, e 20 mudanças ocorreram no primeiro escalão do governo. O governador em exercício, Ricardo Couto, tem enfatizado a necessidade de transparência e eficiência na gestão pública do Rio de Janeiro.

A Posição do Ex-Governador Cláudio Castro

O ex-governador Cláudio Castro, que antecedeu a gestão interina, pronunciou-se sobre o assunto. Em nota, ele esclareceu que a nomeação, a distribuição de funções e o acompanhamento direto dos servidores comissionados são responsabilidades dos secretários e das chefias de cada pasta.

Castro também expressou estranheza pelo fato de algumas das pastas citadas no levantamento continuarem sob os mesmos titulares na atual gestão. Ele argumentou que, se houvesse indícios amplos de irregularidades estruturais, seria incoerente manter esses mesmos gestores à frente das secretarias.

O ex-governador defendeu que apontamentos dessa natureza devem ser analisados com responsabilidade, a partir de dados individualizados e procedimentos formais de apuração. Ele afirmou que exonerações e revisões administrativas são comuns em mudanças de gestão e não indicam, por si só, comprovação automática de irregularidade, reafirmando seu compromisso com a atuação dos órgãos de controle e a responsabilização individual nos casos comprovados.

O Contexto Político da Auditoria no Rio

A auditoria e as exonerações ocorrem em um momento de transição política no Rio de Janeiro. O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, assumiu o comando do Palácio Guanabara.

Ele está no cargo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida sobre uma eleição indireta para escolher um governador-tampão, em substituição a Cláudio Castro (PL). O julgamento no STF está suspenso desde 9 de abril de 2026, após pedido de vista do ministro Flávio Dino, mantendo o estado em um período de incerteza política e administrativa, enquanto o combate aos funcionários fantasmas avança.