Filho de ex-prefeito de Maricá é condenado por compra de votos em Rio Bonito sob novo sobrenome…

Uiltinho Delaroli, condenado pela Justiça Eleitoral a oito anos de inelegibilidade, é filho do ex-prefeito de Maricá Uilton Viana e adotou sobrenome político utilizado em sua candidatura em Rio Bonito.

A Justiça Eleitoral condenou Uiltinho Delaroli por compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Rio Bonito, segundo reportagem do portal Agenda do Poder.

A informação trouxe à tona uma questão que vem gerando debates nos bastidores políticos da região metropolitana do Rio: a mudança de sobrenome de candidatos com raízes políticas consolidadas em outras cidades.

Conforme a publicação, Uiltinho foi condenado junto com o candidato a vice Dr. Jorge Brandão e outros dois aliados, com inelegibilidade por oito anos e multa de R$ 53.205. De acordo com a reportagem, a decisão do juiz Pedro Amorim Gotlib Pilderwasser aponta que houve distribuição e promessa de dinheiro a eleitores, com apreensão de R$ 46.300 em espécie e listas de votantes durante operação policial no dia da eleição.

O sobrenome que mudou

O que poucos em Rio Bonito sabiam é que Uiltinho Delaroli, na verdade, se chama Uilton Afonso Viana Filho. Ele é filho do ex-prefeito de Maricá Uilton Afonso Viana e foi vereador naquela cidade entre 2009 e 2012, sempre usando o sobrenome paterno: Viana.

Ao migrar politicamente para Rio Bonito, o ex-vereador passou a utilizar o sobrenome “Delaroli” em sua candidatura. O nome consta nos registros eleitorais e foi adotado em sua comunicação de campanha.

Para parte do eleitorado de Rio Bonito, especialmente aqueles menos familiarizados com a política regional, o sobrenome Delaroli pode remeter ao grupo político liderado por Marcelo Delaroli, atual prefeito de Itaboraí pelo PL. Não há registro de parentesco entre eles, sendo identificada uma relação de alinhamento político.

Estratégia que se repete

O caso de Uiltinho não é isolado. Em Maricá, cidade de onde ele veio, outro exemplo semelhante ganhou destaque recentemente: Diego Zeidan, filho do prefeito Washington Quaquá e da deputada estadual Rosângela Zeidan (conhecida como Deputada Zeidan), optou por usar o sobrenome materno em sua carreira política.

Diego, que já ocupou a Secretaria Municipal de Habitação da Prefeitura do Rio de Janeiro, é apontado como pré-candidato a deputado federal. No cenário político atual, tem atuado ao lado do pai em agendas públicas, acompanhando ações administrativas, divulgação de programas sociais e registro de atividades junto à população beneficiada, dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral.

Diego sempre foi conhecido publicamente como Diego Zeidan, identificação que utiliza há anos, antes mesmo de sua entrada formal na vida política, refletindo sua proximidade familiar com a mãe.

Mais recentemente, ao se colocar como pré-candidato, passou também a utilizar a identificação ‘Diego Quaquá’ em agendas públicas e comunicações políticas.

A identidade política em questão.

A adoção de sobrenomes no contexto político não é ilegal nem configura fraude eleitoral por si só. Trata-se de uma possibilidade prevista na legislação brasileira, que permite o uso de nome político ou variações do nome civil.

No entanto, a prática costuma gerar debates sobre identidade política e a forma como candidatos se apresentam ao eleitorado.

No caso específico de Uiltinho, a utilização do sobrenome Delaroli em substituição ao sobrenome Viana ocorre dentro desse contexto de construção de identidade política em uma nova base eleitoral.

A eleição em Rio Bonito foi extremamente acirrada: Marcos Abrahão (União) venceu com 10.082 votos (28,43%), enquanto Uiltinho ficou em segundo com 9.541 votos (26,90%) uma diferença de apenas 541 votos. Segundo a publicação, o esquema de compra de votos teria potencial para influenciar diretamente esse resultado.

A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e, posteriormente, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A reportagem tentou contato com Uiltinho Delaroli, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. A TVC acompanha o caso e busca acesso à íntegra da decisão judicial.