Filme ‘Dark Horse’ sobre Bolsonaro avança na Ancine para exibição comercial, enquanto polêmicas sobre financiamento e produção ganham os holofotes.
O filme “Dark Horse”, que documenta a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deu um passo importante para sua exibição comercial no Brasil. A produção recebeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) da Agência Nacional do Cinema (Ancine), conforme apuração do site Metrópoles divulgada nesta terça-feira (7).
Este registro é a primeira etapa burocrática exigida pelo governo para que o longa possa ser exibido ao público brasileiro. No entanto, a trajetória do filme tem sido marcada por uma série de controvérsias, desde a natureza de sua produção até questões sobre seu financiamento.
A Europa Filmes, distribuidora responsável, protocolou o registro e segue com os trâmites. Apesar do avanço, a produção cinematográfica e seu entorno permanecem sob escrutínio devido a investigações paralelas, conforme informações divulgadas pelo Metrópoles.
O Caminho para as Telas
Para que o filme Dark Horse chegue aos cinemas, ainda há um percurso regulatório a ser cumprido. Após o Registro de Obra Estrangeira, o próximo passo será a solicitação do Certificado de Registro de Título (CRT), documento que oficializa a obra na Ancine.
Somente com a emissão do CRT será possível solicitar a classificação indicativa ao Ministério da Justiça, etapa essencial para definir a faixa etária do público. A distribuidora afirmou em nota que “a data oficial de lançamento será divulgada oportunamente, após a conclusão dessas etapas”, indicando que o processo é contínuo.
A Análise da Ancine e a Natureza da Obra
Antes mesmo do pedido de registro, o filme sobre Bolsonaro foi alvo de apurações da Ancine. O objetivo era esclarecer a natureza da produção e o papel da produtora Go Up Entertainment, para determinar se o longa deveria ser enquadrado como uma produção brasileira ou estrangeira filmada em território nacional.
Durante a análise, a produtora precisou apresentar uma série de documentos, incluindo contratos, plano de filmagem e informações detalhadas sobre os profissionais estrangeiros envolvidos no projeto. Essa diligência visava reunir os elementos necessários para a correta classificação da obra perante a legislação do setor audiovisual.
Financiamento Sob Suspeita: Ligação com o PCC
Paralelamente ao avanço na Ancine, uma das empresas ligadas ao financiamento do filme tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo. A Entre Investimentos, responsável por repassar recursos do banqueiro Daniel Vorcaro à produção sobre a história da família Bolsonaro, é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A empresa teria movimentado mais de R$ 26 milhões entre fevereiro e abril de 2025 para uma consultoria de tecnologia que também está envolvida em outros processos por supostos repasses ilegais. É importante ressaltar que a investigação não aponta participação da produção cinematográfica ou da família Bolsonaro nos fatos apurados.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a Entre Investimentos foi a empresa utilizada por Daniel Vorcaro para enviar os recursos destinados ao financiamento do filme. Já o deputado federal Mario Frias (PL-RJ), roteirista do longa, esclareceu que Flávio Bolsonaro não possui participação societária na produção, tendo apenas autorizado o uso dos direitos de imagem da família.
Produtora e Outras Irregularidades
A Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, também está indiretamente ligada a outra controvérsia. Uma das empresas de sua proprietária, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), é suspeita de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura de São Paulo.
Este contrato visava o fornecimento de internet wi-fi em bairros da capital paulista. As múltiplas camadas de investigações e polêmicas adicionam complexidade ao lançamento do filme, que segue seu caminho regulatório enquanto os desdobramentos externos continuam a ser monitorados.