Flávio Bolsonaro: Urnas brasileiras ligadas à Smartmatic da Venezuela? Declaração a diplomatas causa controvérsia e TSE reage

A polêmica fala de Flávio Bolsonaro a representantes de 42 países sobre a origem de máquinas de votação e a rápida resposta do Tribunal Superior Eleitoral.

O senador Flávio Bolsonaro causou repercussão em um encontro com diplomatas em Brasília, ao sugerir uma suposta ligação entre as urnas eletrônicas brasileiras e máquinas utilizadas na Venezuela, que seriam da empresa Smartmatic, alvo de suspeitas naquele país.

A declaração, feita em um evento fechado com representantes de 42 nações, levantou questionamentos imediatos sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro, provocando uma reação contundente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar de o senador ter negado, posteriormente, qualquer intenção de duvidar do processo eleitoral, a fala ecoou e reacendeu debates sobre a confiança nas urnas eletrônicas, conforme informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.

A Declaração Controversa de Flávio Bolsonaro sobre as Urnas

Durante o evento com os diplomatas, Flávio Bolsonaro mencionou relatórios de inteligência dos Estados Unidos sobre a Venezuela. Ele afirmou que muitas máquinas usadas no Brasil “teriam a mesma origem da Smartmatic”, empresa que, segundo ele, é alvo de sérias suspeitas de manipulação de votos no país vizinho.

Contudo, no momento da fala, o senador fez uma ressalva, indicando que não estava questionando o sistema eleitoral brasileiro, mas sim solicitando o envio de observadores internacionais para as próximas eleições. Essa ponderação inicial, porém, não impediu a rápida disseminação e interpretação de suas palavras.

A Resposta Firme do TSE e a Negação de Ligação com a Smartmatic

Em resposta às declarações do senador, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agiu prontamente para desmentir as informações. O tribunal reiterou, de forma categórica, que a empresa Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ou softwares para as eleições realizadas no Brasil, desfazendo a suposta conexão.

O TSE esclareceu que a Smartmatic prestou apenas serviços de apoio técnico pontuais, como conexão de dados e voz, além de treinamento, em períodos anteriores. É crucial ressaltar que todo o projeto e a programação da urna eletrônica são desenvolvidos e geridos de forma exclusiva pela Justiça Eleitoral brasileira, garantindo a autonomia e segurança do processo.

Reação Pós-Repercussão: Senador Nega Questionamentos

Após a repercussão de suas falas, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota oficial, assinada também por coordenadores de sua pré-campanha, negando veementemente qualquer questionamento à integridade do sistema eleitoral. A defesa argumentou que o senador apenas “relatou fatos públicos”, citando os relatórios da CIA sobre a Venezuela.

No comunicado, Flávio Bolsonaro reafirmou sua “integral confiança” no processo eleitoral brasileiro, alegando que suas declarações foram “descontextualizadas”. A nota buscou dissipar as dúvidas geradas, reforçando a posição de que não houve intenção de minar a credibilidade das urnas eletrônicas.

Precedente Jurídico e a Importância da Observação Internacional

Esse tipo de declaração, que envolve questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas, gera preocupação jurídica significativa no Brasil. Há um precedente importante na família Bolsonaro: em 2023, o ex-presidente Jair Bolsonaro tornou-se inelegível justamente por criticar o sistema eleitoral em uma reunião similar com embaixadores.

Na ocasião, a Justiça Eleitoral entendeu que o ato configurou abuso de poder político e desvio de finalidade, ao usar a estrutura pública para semear dúvidas sem provas sobre o sistema de votação. A defesa de Flávio Bolsonaro pela presença de observadores internacionais, por sua vez, visa atestar a transparência do processo.

Missões de observação internacional são grupos de especialistas estrangeiros convidados para acompanhar de perto o dia da eleição, com o objetivo de que olhos externos atestem a transparência e a lisura do processo. O senador defendeu o envio do máximo de observadores técnicos possíveis para as eleições de 2026, argumentando que isso contribui para a confiança pública nos resultados.