GAECO prende ex-vereadora de Búzios por desvio de recursos públicos e investigação levanta alerta sobre prática em outras câmaras

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, cumpriu nesta terça-feira mandado de prisão contra uma ex-vereadora de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. A ação faz parte de uma denúncia que apura um esquema de desvio de recursos públicos na Câmara Municipal do município.

Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a ex-parlamentar é acusada de organizar um esquema conhecido como “rachadinha” entre os anos de 2017 e 2020, período em que exercia o mandato. De acordo com a investigação, assessores nomeados no gabinete repassavam parte ou a totalidade de seus salários à então vereadora.

A denúncia apresentada pelo GAECO aponta que a prática era sistemática. A apuração identificou 87 depósitos em espécie realizados na conta da investigada, que somam mais de R$ 200 mil. Entre as provas reunidas estão depoimentos de ex-assessores, comprovantes bancários e análise de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada.

Além da prisão, a Justiça também autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão. As medidas foram executadas por promotores do Ministério Público com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do próprio MPRJ.

A ex-vereadora foi denunciada pelos crimes de peculato e associação criminosa. O caso segue agora sob análise do Judiciário, e a defesa ainda poderá se manifestar no curso do processo.

Um alerta que vai além de Búzios

A investigação em Búzios levanta um questionamento inevitável no cenário político fluminense e nacional: a metodologia usada neste caso pode ter sido aplicada por outros vereadores, em outros municípios, sem que ainda tenha vindo à tona?

O esquema descrito pelo Ministério Público envolve práticas simples, de difícil detecção imediata e que dependem, muitas vezes, do silêncio ou da vulnerabilidade de assessores. Especialistas em controle de gastos públicos apontam que esse tipo de fraude não é exclusiva de uma cidade e costuma aparecer de forma pulverizada em câmaras municipais pelo país.

A operação do GAECO, portanto, não apenas expõe um caso específico, mas reacende o debate sobre fiscalização, transparência e controle interno no Poder Legislativo municipal. A resposta para esse questionamento pode estar justamente nas próximas investigações que ainda virão.