O Ascensão Inesperada de Iván Cepeda
Na acirrada disputa eleitoral colombiana, Iván Cepeda, senador pelo Pacto Histórico, emergiu como uma força política surpreendente. Longe de ser o favorito inicial para 2026, ele agora domina a campanha, moldando-a em seus próprios termos: eventos públicos frequentes, poucas entrevistas e ausência em debates. Sua ascensão meteórica está intrinsecamente ligada a um ponto de virada crucial: o caso judicial contra o ex-presidente Álvaro Uribe, onde Cepeda atuou como vítima e testemunha.
Raízes e Trajetória de um Político Comprometido
Nascido em Bogotá em 1962, Iván Cepeda é filho de Manuel Cepeda Vargas, deputado da União Patriótica assassinado em 1994, e Yira Castro, líder comunista. A memória de seu pai, vítima do extermínio de um movimento político reconhecido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, moldou sua trajetória. Com uma postura estoica e uma voz calma, Cepeda tem sido um defensor incansável da justiça. Sua formação acadêmica inclui Filosofia na Bulgária e Direito Internacional Humanitário na França. Sua carreira política, marcada por exílio na Europa e fundação do Movimento Nacional das Vítimas de Crimes de Estado, reflete seu ativismo em um país marcado pela violência. Eleito para a Câmara dos Representantes em 2010 e senador desde 2014, Cepeda tem sido peça chave em processos de paz e na denúncia de conexões entre políticos e paramilitares.
O Caso Uribe e a Consolidação da Candidatura
Em 2012, o ex-presidente Álvaro Uribe acusou Cepeda de obstrução da justiça. Anos depois, em 2018, o Supremo Tribunal Federal arquivou o caso contra Cepeda e abriu inquérito contra Uribe. Embora Uribe tenha sido posteriormente absolvido, a notoriedade gerada por esse embate catapultou Cepeda para o centro da corrida presidencial. O que começou sem ser uma candidatura planejada, transformou-se, com a condenação de Uribe, em uma plataforma política de grande visibilidade.
Propostas e Estratégias para 2026
Cepeda propõe a continuidade da política de “paz total” de Petro, a reconciliação nacional e a defesa dos direitos humanos. Internacionalmente, defende uma política externa independente, com ênfase no reconhecimento do Estado palestino, integração latino-americana e abandono do modelo proibicionista de drogas. No âmbito social, advoga por uma “revolução agrária” e uma economia popular. Politicamente, busca uma “revolução democrática” para consolidar as mudanças sociais. Sua vice, Aida Quilcué, reforça a representatividade da chapa. Cepeda se beneficia do apoio do atual governo e de outros candidatos da esquerda, posicionando-se como o nome a ser batido. Sua estratégia de controlar a exposição midiática, embora criticada, tem mantido o favoritismo. No entanto, ele enfrenta o desafio de atrair eleitores de centro e lidar com as críticas à gestão de Petro e a complexa conjuntura regional e internacional, especialmente no que tange à segurança e às relações diplomáticas.