Um vídeo que mostra um jacaré mordendo uma garrafa PET em meio a uma grande quantidade de lixo viralizou nas redes sociais, gerando indignação entre moradores de Santos, no litoral de São Paulo. O registro foi feito pelo motoboy Luiz Fernando Vaz, que costuma passar pela região da lagoa na Avenida Engenheiro Augusto Barata, no bairro Alemoa.
O registro que viralizou
Nas imagens, que já somam mais de 140 mil visualizações, o autor do vídeo tenta oferecer alimento ao animal, momento em que o réptil acaba abocanhando uma garrafa plástica. Vaz, que monitora os animais daquela área há cerca de 15 anos, expressou sua frustração com a situação: “Isso que é triste. Olha o desespero que esse bicho vive”, lamentou o motoboy, que já havia registrado outro jacaré com uma sacola plástica presa ao corpo anteriormente.
Impasse sobre a responsabilidade do local
O caso trouxe à tona uma discussão sobre a manutenção da área. Enquanto a Prefeitura de Santos aponta que o local é de responsabilidade da Autoridade Portuária de Santos (APS), o órgão portuário rebate, afirmando que a lagoa não está dentro de sua poligonal de jurisdição. A APS ressaltou que, embora tenha instalado grades e lixeiras no entorno da via para proteger os animais e evitar a entrada de pessoas, o descarte irregular de resíduos por parte da população persiste.
Riscos da alimentação humana
O biólogo Eric Comin reforça que a atitude de alimentar animais silvestres, embora motivada por compaixão, é contraproducente e perigosa. Segundo o especialista, ao associar humanos à comida, o jacaré altera seu comportamento natural e pode se tornar mais propenso a se aproximar de áreas urbanas, aumentando o risco de acidentes. Além disso, a prática de alimentar animais sem autorização é considerada crime ambiental no Brasil.
Impacto do crescimento urbano
O especialista destaca que os jacarés não habitam locais poluídos por escolha própria, mas devido ao avanço do crescimento urbano desordenado, que suprimiu seu habitat original. A sobrevivência desses animais em canais e lagoas contaminadas é um sinal de alerta sobre a saúde do ecossistema local. Para denunciar riscos à integridade dos animais, a orientação é acionar a Guarda Portuária, que pode mobilizar a Polícia Ambiental para intervenções adequadas.