Jovem denuncia brutal agressão de PMs dentro de hospital no Tocantins, com laudo confirmando perfuração por arma de fogo

Vítima relata ter sido algemada e agredida por policiais militares mesmo após imobilização, na presença de funcionários da unidade de saúde.

A grave denúncia de um jovem contra policiais militares em Formoso do Araguaia, Tocantins, gerou grande repercussão. Ele alega ter sido violentamente agredido por PMs, não apenas durante a abordagem inicial, mas também dentro de um hospital municipal, onde procurava atendimento médico.

O caso ganha contornos ainda mais sérios com a confirmação de um laudo pericial da Polícia Civil, que aponta a existência de uma perfuração por arma de fogo no quadril direito do rapaz, além de outras lesões graves. A situação levanta questionamentos sobre o uso da força policial.

As autoridades já investigam o episódio, que opõe o relato da vítima, que denuncia a agressão de PMs dentro de hospital, à versão da Polícia Militar, que fala em resistência à abordagem. As informações foram divulgadas pelo g1, que acompanha o desenrolar dos fatos.

O Relato Chocante da Vítima Detalha Violência Contínua

O jovem contou que foi atingido por disparos de bala de borracha e teve a perna quebrada durante a abordagem policial. Segundo seu depoimento às autoridades, as agressões não cessaram mesmo após ele ter sido imobilizado e algemado, continuando dentro da sala de atendimento do hospital.

“Me algemaram sem necessidade, porque eu não estava reagindo a nada. E os mesmos continuaram me agredindo dentro do hospital. Inclusive, há testemunhas disso. Tem enfermeiras que viram, tem médicos que também viram eles me agredindo dentro da sala de atendimento”, afirmou o jovem ao g1.

Ele descreveu a gravidade da violência. “Me derrubou e chutou minha perna até quebrar. A sorte foi que as enfermeiras intervieram, senão ele tinha me matado ali dentro”, acrescentou, enfatizando o caráter desproporcional da agressão de PMs dentro de hospital.

Os ferimentos sofridos o impediram de continuar trabalhando. “Agora estou aqui sem ganhar nada. Eu estava trabalhando, mas não tinha carteira assinada. Aí ele me lesionou, quebrou um osso meu sem necessidade. Então, eu queria justiça”, desabafou o jovem à TV Anhanguera, cobrando providências.

A vítima reforça que houve abuso de autoridade. “Quebrou um osso meu sem necessidade. Isso é abuso de autoridade”, disse ele, referindo-se ao uso excessivo da força durante a ação policial, que culminou nas agressões dentro da unidade de saúde.

A Versão da Polícia Militar Aponta Resistência e Agressão

A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) informou à reportagem da TV Anhanguera que, conforme o relatório operacional da ocorrência, registrado em 24 de maio de 2026, o motociclista trafegava na contramão e apresentava sinais de embriaguez no momento da abordagem.

A corporação alegou que o jovem teria resistido à ação policial. O relatório indica uma suposta tentativa de tomar a arma de um dos militares, o que levou ao uso progressivo da força por parte da equipe policial.

Diante desse cenário, conforme o registro operacional, houve o emprego de munição de elastômero, conhecida como bala de borracha. Posteriormente, um disparo de arma de fogo foi efetuado com a finalidade de “cessar a injusta agressão”, segundo a PM.

A PMTO afirmou que tanto o abordado quanto os policiais militares sofreram lesões e receberam atendimento médico na unidade hospitalar local. A Corregedoria-Geral da corporação está apurando especificamente as alegações de agressão de PMs dentro de hospital.

Laudo Pericial Confirma Lesões Graves e Perfuração por Arma de Fogo

A denúncia do jovem é corroborada por um laudo pericial da Polícia Civil. O documento confirmou a perfuração por arma de fogo no quadril direito da vítima, além da presença de lesões graves, que exigiram intervenção cirúrgica na perna.

A previsão inicial para a recuperação do jovem é de afastamento de suas atividades por, no mínimo, 30 dias. Um novo exame foi agendado para avaliar possíveis sequelas permanentes decorrentes dos ferimentos sofridos durante a abordagem e a agressão de PMs dentro de hospital.

A Prefeitura de Formoso do Araguaia, responsável pela unidade de saúde municipal, não se manifestou sobre os episódios relatados dentro do hospital, onde as agressões supostamente continuaram.

Investigação em Andamento e Acompanhamento do Ministério Público

A Polícia Civil do Tocantins informou à TV Anhanguera que as investigações já estão em andamento, e um inquérito foi instaurado para apurar detalhadamente as circunstâncias da abordagem e a veracidade das agressões relatadas pelo jovem.

O Ministério Público do Tocantins (MPTO), por sua vez, informou à reportagem que acompanha de perto o andamento das investigações, garantindo a fiscalização do processo e a busca pela verdade dos fatos.

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Tocantins (PMTO) também instaurou um procedimento administrativo. O objetivo é verificar a regularidade da atuação policial, esclarecer os fatos narrados e assegurar o devido processo legal aos envolvidos.

A PMTO reafirmou seu “compromisso com a legalidade, a transparência, a preservação dos direitos humanos e o respeito aos protocolos institucionais”. A instituição garante que “não tolera condutas que contrariem a legislação ou os procedimentos operacionais vigentes” e que tomará as medidas cabíveis, caso irregularidades sejam constatadas ao término da apuração.