Julgamento no STF sobre eleição no RJ pode se estender até 2026, mantendo interino no cargo

Decisão crucial adiada

O futuro político do Rio de Janeiro permanece em suspenso. O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que definirá como será a eleição para o governo do estado, após a vacância dos cargos, pode se arrastar até as eleições gerais de 2026. Essa postergação garante a permanência do governador interino, Ricardo Coutinho, no comando do estado, no mínimo, até outubro deste ano.

Dino pede vista e aguarda desdobramentos no TSE

O ministro Flávio Dino, mais de um mês após solicitar vista dos autos, sinaliza que pretende aguardar a conclusão dos recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes ao ex-governador Cláudio Castro. Somente após a resolução dessas pendências no TSE, Dino pretende devolver o caso ao plenário do STF. A questão central em debate no STF é se a eleição suplementar para preencher o restante do mandato, que vai até 31 de dezembro, deve ser direta (com voto popular) ou indireta (escolhida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro – Alerj). Antes da suspensão, o placar indicava 4 a 1 a favor da eleição indireta.

Acórdão do TSE e recurso da PGE

O pedido de vista de Dino foi motivado pela necessidade de esclarecer pontos cruciais após a publicação do acórdão do TSE que declarou Cláudio Castro inelegível. Publicado em 23 de abril, o documento manteve a inelegibilidade, mas não cassou o mandato, uma vez que Castro renunciou antes do fim do julgamento eleitoral. Contudo, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) apresentou um recurso ao TSE pedindo o reconhecimento da cassação do mandato do ex-governador, adicionando mais uma camada de complexidade ao cenário.

Efeitos em Roraima e insegurança jurídica

O impasse no Rio de Janeiro já começa a ecoar em outros estados. Em Roraima, o Diretório Nacional do Partido Republicanos entrou com uma ação no STF buscando suspender a realização de novas eleições diretas no estado. Recentemente, o TSE cassou o mandato do governador de Roraima, Edilson Damião, e declarou o ex-governador Antonio Denarium inelegível por abuso de poder político, determinando a realização de uma eleição suplementar direta. O Republicanos argumenta que uma nova eleição imediata geraria altos custos públicos e que ainda existe insegurança jurídica sobre o modelo de “mandato-tampão”, defendendo que Roraima receba um tratamento similar ao que está em discussão para o Rio de Janeiro no STF.