Justiça afasta vice-prefeita de Ribeira suspeita de usar verba pública para “amarração” amorosa…

A Justiça de São Paulo determinou o afastamento imediato de Juliana Maria Teixeira da Costa, vice-prefeita de Ribeira, interior do estado, após denúncias de uso indevido de verba pública para pagamento de uma “amarração” amorosa.

Junto dela, também foi afastado Lauro Olegário da Silva Filho, coordenador da Saúde do município e alvo do trabalho espiritual.

A decisão, emitida na última segunda-feira (4/8) pelo juiz Yuri Rodrigues Santos Santana Barberino, do Foro de Apiaí, determinou a suspensão das funções públicas e dos vencimentos de Juliana e Lauro, proibindo ambos de frequentar qualquer dependência da Prefeitura de Ribeira sob pena de prisão preventiva.

Além disso, eles foram impedidos de manter contato com testemunhas relacionadas à denúncia, servidores da saúde, licitação, contratos, contabilidade e tesouraria do município.

Também foi incluído nas restrições William Felipe da Silva, dono da empresa W. F. Da Silva Treinamentos Ltda., acusada de intermediar o uso irregular da verba pública para o pagamento do serviço espiritual.

Uso de empresa para mascarar pagamento irregular..

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou, em 30 de julho, uma ação civil pública contra a administração municipal de Ribeira, pedindo a anulação dos contratos e ressarcimento dos valores pagos à W. F. Da Silva Treinamentos Ltda.

Juliana Maria Teixeira, William Felipe da Silva e Lauro Olegário da Silva Filho são acusados de enriquecimento ilícito por meio de pagamentos de serviço particular com verba pública, no valor de R\$ 41,2 mil.

A denúncia ganhou força após o perfil “Mentora Samantha” divulgar no Instagram comprovante de pagamento à empresa, ocorrido em 21 de agosto de 2024.

As investigações mostraram que a Prefeitura efetuou o pagamento em menos de 12 minutos após emissão da nota fiscal, reforçando a suspeita de triangulação dos recursos públicos.

A Justiça também suspendeu imediatamente os contratos com a empresa, proibindo novos acordos, e o MPSP pediu a condenação por improbidade administrativa dos envolvidos, além de sanções à empresa.

Pagamentos duplicados e empresa fantasma.

Durante as apurações, o Ministério Público detectou pagamentos duplicados a médicos plantonistas contratados informalmente via WhatsApp, sem contratos oficiais.

Apesar de contratos milionários com a prefeitura, a W. F. tem sede em uma pequena residência em Curitiba (PR) e não possui histórico comprovado de prestação de serviços na área de saúde, o que reforça a suspeita de ser uma intermediária nas transferências de recursos.

Posicionamento da vice-prefeita

Nas redes sociais, Juliana Teixeira repudiou as acusações, classificando-as como “mentirosas, agressivas e caluniosas” e parte de uma campanha para manchar sua imagem pessoal e política.

Sua assessoria informou que já foram tomadas medidas judiciais, com boletim de ocorrência registrado, e que todos os envolvidos na propagação das denúncias responderão criminalmente por calúnia, difamação, injúria e tentativa de extorsão.

Juliana reafirma sua “consciência limpa” e diz que defenderá sua honra e integridade na Justiça.

Curioso é que casos como esse têm um desfecho diferente em muitas cidades brasileiras, onde a lei impera e a Justiça age com rigor.

Mas só existe uma cidade onde, parece, a verba pública pode ser usada conforme a vontade do gestor sem que nada aconteça. Vocês sabem qual é essa cidade?