O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou, nesta quarta-feira (3), o pedido liminar em habeas corpus solicitado pela defesa de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, proferida pela 16ª Câmara de Direito Criminal de Presidente Venceslau, também indeferiu os pedidos de liberdade para Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcola, e os sobrinhos Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho. Leonardo e Paloma estão foragidos.
Operação Vêrnix investiga lavagem de dinheiro e conexão com influenciadora
Marcola e seus familiares foram alvos da Operação Vêrnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A mesma operação resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra e de outros dois indivíduos por envolvimento com lavagem de dinheiro coordenada pelo PCC. Segundo a decisão judicial, os indícios de autoria são “robustos e individualizados” para os investigados. A investigação aponta que Marcola e Alexsander exerciam liderança na organização criminosa, atuando mesmo de dentro de unidades prisionais.
Justiça aponta risco de manipulação de provas e ameaça à ordem pública
A Justiça argumentou que a soltura dos investigados representaria uma ameaça à ordem pública, com risco de destruição ou manipulação de provas digitais ainda não identificadas e possibilidade de direcionamento a testemunhas, além da reorganização do fluxo financeiro ilícito. “Se tais indivíduos conseguiram exercer controle financeiro e patrimonial sobre empresa de transportes, definir percentuais de divisão de lucros e dar ordens de distribuição de valores estando presos, é manifesto que os demais integrantes do núcleo operacional e familiar em plena liberdade representam ameaça permanente e contemporânea à ordem pública”, destacou a decisão.
Defesa contesta decisão e alega que viagens não configuram fuga
Em nota, o advogado Bruno Ferullo, que representa Marcola e seus familiares, afirmou que a decisão é provisória e não define a legalidade das prisões preventivas. Sobre os sobrinhos Leonardo e Paloma, a defesa contestou a alegação de fuga, afirmando que as viagens ao exterior ocorreram antes da decretação das prisões, sem que eles tivessem conhecimento das ordens. Ferullo ressaltou que Marcola e Alejandro já estão em presídios de segurança máxima, com comunicações monitoradas.
Investigação iniciada em 2019 aponta para esquema financeiro complexo
A Operação Vêrnix teve início em 2019, dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos que revelaram dinâmicas internas do PCC. A investigação identificou a atuação de lideranças encarceradas e possíveis ataques contra agentes públicos. Deolane Bezerra é acusada de manter vínculos pessoais e negociais com membros da facção e com um dos gestores da transportadora Lopes Lemos Transportadora Ltda, investigada no esquema. Um item central da acusação foi a apreensão de uma caixa personalizada com inscrições ligadas a Deolane, contendo R$ 7,8 mil em espécie, em um imóvel ligado a outro investigado.