Linha-dura iraniana critica possível acordo com EUA, temendo ‘colônia’ e abertura de estreito estratégico

Conservadores Iranianos Reagem Fortemente a Possível Acordo com os EUA

Setores conservadores do Irã manifestam forte oposição a pontos de um acordo relatado entre o país e os Estados Unidos. Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha sugerido a assinatura de um memorando, Teerã ainda não confirmou um texto final acordado.

Críticas à Submissão e Abertura Estratégica

Mahmoud Nabavian, uma figura proeminente da linha-dura iraniana, declarou que a assinatura do acordo tornaria o Irã “efetivamente uma colônia dos Estados Unidos”. Segundo ele, o entendimento permitiria a abertura do estratégico Estreito de Ormuz, “até mesmo para Israel”. Nabavian também alertou que qualquer tentativa de enriquecimento de urânio, mesmo para fins pacíficos como produção de medicamentos ou eletricidade, exigiria autorização prévia dos EUA.

Incertezas sobre Benefícios e Alerta de Guerra

O representante conservador também expressou incerteza quanto aos prazos para a liberação de ativos iranianos congelados no exterior e o alívio das sanções. Nabavian advertiu que “quanto mais sinais de fraqueza enviarmos, mais a guerra se aproximará de nós”, em entrevista à televisão.

Divisões Internas e Protestos

Veículos de comunicação iranianos, como o jornal Javan, próximo à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), alertaram contra divisões internas, acusando alguns oradores em manifestações públicas de ignorar orientações do líder supremo e de “semear cisma e divisão”. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram participantes de um ato em Teerã pedindo a renúncia do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Os manifestantes relembraram o assassinato do pai de Khamenei, o então líder supremo, com o slogan: “Ghalibaf, Araghchi – e o sangue do meu líder?”. Em contrapartida, Ali Rabiei, aliado do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, rebateu as críticas, alertando contra a criação de “narrativas artificiais”. O texto oficial do acordo ainda não foi divulgado.