Maricá, 23 de junho de 2025 – A população de Maricá se vê diante de um cenário preocupante onde a gestão municipal é acusada de direcionar milhões de reais em recursos públicos para projetos pessoais, com pouco ou nenhum benefício real para a cidade e seus moradores.
O foco principal da controvérsia recai sobre o Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), que, em vez de impulsionar o desenvolvimento local, parece ter se tornado um epicentro de apadrinhamento político e financeiro, desempregando centenas de trabalhadores enquanto beneficia uma seleta lista de apadrinhados.
A mais recente edição do Jornal Oficial de Maricá (JOM), datada de 16 de junho, jogou luz sobre mais uma lista de contemplados com bolsas de até R$ 84 mil pelo ICTIM. Embora a missão formal do instituto seja promover pesquisas e desenvolvimento tecnológico para a cidade, a prática sugere um desvirtuamento alarmante, transformando a iniciativa em um instrumento de favorecimento pessoal e partidário.
Conexões Suspeitas e a “Farra das Bolsas”
O que mais chama a atenção é a recorrência de nomes já beneficiados em outras iniciativas controversas.
Muitos dos contemplados com bolsas no ICTIM já haviam recebido pagamentos no âmbito da criticada plataforma de streaming Maricá Filmes, que operou sob a gestão de Celso Pansera, atual presidente da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar).
Conforme noticiado pelo Jornal da República Online, a Maricá Filmes, um projeto público, teve seu impacto e resultados práticos questionados desde o seu lançamento, sendo considerada por muitos como uma “frustração” e “plataforma de promessas vazias”.
Um caso emblemático é o do cineasta Silvio Tendler, pai da coordenadora do projeto Maricá Filmes, Ana Rosa Barreto Campello Tendler. Pai e filha estão, mais uma vez, simultaneamente remunerados com bolsas dentro da mesma estrutura institucional.
Esta situação levanta sérias dúvidas sobre conflito de interesses e nepotismo cruzado, especialmente porque as concessões ocorrem sem qualquer concurso público, processo seletivo ou mesmo publicação prévia de critérios de escolha.
Ausência de Critérios, Transparência e Isonomia
A forma como o ICTIM tem distribuído essas bolsas desafia abertamente os princípios constitucionais da administração pública, em especial a isonomia, impessoalidade, transparência e publicidade.
A Lei nº 8.666/1993 (Lei de Licitações) e a nova Lei nº 14.133/2021 são claras ao determinar que o uso de recursos públicos para contratações ou benefícios deve ser precedido de chamamento público ou seleção que garanta igualdade de condições a todos.
No entanto, o ICTIM tem operado de forma obscura, sem qualquer justificativa técnica para as escolhas, o que configura uma flagrante afronta ao princípio da moralidade administrativa, previsto no Artigo 37 da Constituição Federal.
Milhões em Bolsas e Conexões Políticas Fortes
O Jornal da República Online tem sido incisivo em suas denúncias, revelando outros casos alarmantes.
Uma bolsa de R$ 120 mil foi concedida ao atual secretário municipal de Saúde, Marcelo Velho, que já possui um salário de R$ 27.093,67 e é alvo da Operação Salus da Polícia Federal, que investiga um desvio de R$ 71 milhões na Saúde.
O mesmo projeto beneficiou Daniel Alvão de Carvalho Junior, amigo pessoal e ex-secretário parlamentar de Celso Pansera, que recebeu uma bolsa de R$ 60 mil.
Outros nomes com fortes vínculos políticos também foram agraciados, como o secretário municipal Igor Sardinha e seu sub Magnun Amado, que acumulam as bolsas com seus vencimentos em cargos de chefia.
Carlos Augusto de Azevedo, ex-presidente do Inmetro e chefe de gabinete de Celso Pansera no Ministério de Ciência e Tecnologia, e Luiz Roberto Acacio de Matos, amigo pessoal de Pansera e do presidente do ICTIM, Cláudio Gimenez, completam a lista de beneficiados que reforçam a tese de um esquema de apadrinhamento.
A recente contemplação de Rayanne de Medeiros Gonçalves, gerente geral da Incubadora de Inovação Social Mumbuca Futuro – programa gerido por uma organização social com contrato com o ICTIM – e conhecida como indicação direta do vereador Hadesh (PT), líder do governo, consolida a percepção de que o instituto é utilizado como moeda de troca política.
Desenvolvimento Fictício, Apadrinhamento Real, com a chancela do prefeito Quaqua.
Enquanto a retórica oficial fala em inovação e desenvolvimento tecnológico, a realidade em Maricá aponta para um apadrinhamento institucionalizado, onde bolsas de pesquisa e incentivo cultural funcionam, na prática, como cabides de emprego para aliados políticos.
A atual presidência do ICTIM, sob Cláudio de Souza Gimenez, parece seguir a mesma lógica, operando à margem das boas práticas administrativas.
O Portal da Transparência do ICTIM revela que, dos seus 76 funcionários, 66 são cargos comissionados e apenas 10 são concursados, mesmo com um concurso público em vigência e aprovados aguardando convocação.
Além disso, o instituto opera em seus projetos com pelo menos cinco organizações sociais – Instituto Maayan, Instituto Singular de Ideias Inovadoras (ISII), Instituto Brasil Social (IBS), Instituto de Desenvolvimento Socioambiental (IDS) e Universidade Popular de Educação para a Sustentabilidade (UPES) – sobre as quais a transparência dos contratos é praticamente inexistente.
A quantidade exata de bolsistas também não é claramente exposta no Portal da Transparência, aumentando a opacidade do processo.
Enquanto o prefeito Quaqua, sangra a cidade de Maricá, com desempregos em massa, lojas comercias fechando, projetos sócias sendo retirados, funcionários dormindo no chão, os amigos e apadrinhados do poder são beneficiados pelo prefeito que está fazendo de Maricá uma moeda de troca no campo político.
A população de Maricá, que aguarda ansiosamente a atuação da justiça, clama por transparência, critérios objetivos e verdadeira meritocracia na utilização dos recursos públicos.
É fundamental que o Ministério Público e os órgãos de controle investiguem urgentemente essas nomeações, identifiquem irregularidades e coíbam a utilização do ICTIM como uma extensão do balcão político-partidário, garantindo que a Lei prevaleça e que os benefícios sejam direcionados à cidade e não a projetos pessoais.
Fonte: https://www.jornaldarepublicaonline.com.br/noticia/farra-das-bolsas-no-ictim-sem-criterios-sem-transparencia-e-com-vinculos-suspeitos