Enquanto Maricá projeta um futuro de prosperidade e inovação, com mega projetos como um centro espacial e piscinas artificiais ganhando destaque na grande mídia, a realidade presente de seus moradores, especialmente na área da saúde, revela uma escuridão administrativa que a pequena imprensa local mostra com toda clareza.
O relato de uma moradora de Itaipuaçu escancara a via-crúcis enfrentada por quem busca atendimento de emergência, expondo a caótica situação da saúde pública e a aparente falta de gestão do Secretário de Saúde, Marcelo Velho.
A história da paciente começa nas primeiras horas de uma quinta-feira, quando, acometida por uma dor intensa no estômago, ela buscou socorro no posto de saúde Santa Rita, na Rua 83.
Após duas doses de Tramal sem melhora, foi encaminhada de ambulância ao Hospital Conde Modesto Leal. Lá, uma tomografia confirmou o diagnóstico de pedra na vesícula.
Uma enfermeira, que acompanhou a paciente até a unidade de saúde tentou, sem sucesso, a internação na UPA, sendo necessário aplicação de analgésico forte para amenizar a dor, resultando no retorno da paciente ao Santa Rita, com a orientação de tentar a internação por conta própria no Conde Modesto.
O que se seguiu foi um dia inteiro de sofrimento e descaso, culminando em um desencontro de diagnósticos alarmante.
Após ser atendida por quatro médicos brasileiros que corroboraram o diagnóstico de pedra na vesícula – com a dor insuportável ao apalpar a região confirmando a condição –, a paciente se deparou com a postura de um médico estrangeiro.
Este profissional, em total desacordo com os diagnósticos anteriores e os exames realizados por seus colegas brasileiros, insistiu em uma internação para tratar uma suposta infecção urinária, um diagnóstico que a paciente descreve como não tendo “nada a ver” com a causa real de sua dor e necessidade de internação.
A situação é agravada pela falta crônica de médicos e espaço nos centros de emergência, resultando em superlotação.
Pacientes são atendidos até mesmo nos corredores, uma cena que remete a um “estado de guerra” na saúde.
A promessa de ser internada no corredor por falta de vagas coroa a dramática realidade enfrentada pelos cidadãos de Maricá.
Este episódio não é um caso isolado, mas um reflexo da falha de gestão e da precariedade do sistema de saúde em Maricá.
Enquanto o prefeito administra uma “cidade do futuro”, com investimentos em projetos que envolve milhões de grande visibilidade,
a pequena imprensa da cidade expõe a escuridão administrativa que tomou conta do presente na área da saúde, onde a população paga o preço da ineficiência e da aparente incompetência na condução de uma área tão vital.
A contradição entre a Maricá dos mega projetos e a Maricá da emergência médica é um abismo que precisa ser transposto.