Em um movimento que ecoa como um trovão no cenário político, Maricá, cidade conhecida por sua forte presença da esquerda, testemunhou uma cena inusitada: a homenagem a um dos principais aliados de Jair Bolsonaro.
Sob a batuta do prefeito Washington Quaqua, a Câmara de Vereadores concedeu o título de Cidadão Maricaense ao general Eduardo Pazuello, ex-ministro e figura central do bolsonarismo, em uma sessão solene que também celebrou os 211 anos da cidade.
A decisão, que desafia abertamente a linha tradicional do PT e a hostilidade de grande parte da esquerda em relação a Bolsonaro e seus apoiadores, coloca Quaqua em rota de colisão com os caciques do partido.
Enquanto o ex-presidente é frequentemente alvo de críticas e ofensas, Quaqua, em um gesto que remete ao coronel Belarmino Ricardo de Siqueira, o Barão de São Gonçalo, parece governar Maricá como um feudo, onde suas decisões são lei.
A homenagem a Pazuello, um dos nomes mais controversos do governo Bolsonaro, ao lado de José Dirceu, figura histórica do PT e ex-ministro de Lula, levanta questionamentos sobre os rumos da esquerda em Maricá e no Brasil.
A atitude de Quaqua, que parece querer moldar o PT à sua imagem e semelhança, acende um debate sobre a identidade do partido e seus valores.
A solenidade, que deveria ser um momento de celebração, transformou-se em um palco para um embate ideológico que expõe as fissuras dentro da esquerda.
Em Maricá, onde a esquerda tradicional dá espaço ao herdeiro do Lula, tudo pode acontecer.