O deputado Fillipe Poubel trouxe a público uma grave denúncia envolvendo uma licitação em Maricá, apontada como um processo de “cartas marcadas”.
O caso ganhou relevância não apenas pelo risco de fraude em contratos milionários, mas também por se conectar a um cenário mais amplo de suspeitas que já vinham sendo levantadas no município.
O vereador Ricardinho Netuno, em diversas ocasiões, afirmou que uma quadrilha organizada estaria operando em Maricá, desviando milhões dos cofres públicos.
Apesar da gravidade das acusações e da documentação apresentada, o Ministério Público do Rio de Janeiro até agora não demonstrou interesse em ouvir o parlamentar nem investigar os bastidores dessas denúncias.
É nesse vácuo institucional que surge a necessidade de ampliar o debate para fora do estado.
O jornalista investigativo Marcelo Cerqueira, atento às conexões entre organizações sociais que prestam serviços em São Paulo e em Maricá, passou a levantar indícios de que os tentáculos de uma mesma célula criminosa poderiam estar por trás dessas operações.
O exemplo mais emblemático vem da Operação Dois Caras, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, onde a Justiça expediu mais de 100 mandados. Entre eles, 12 de prisão temporária incluindo o presidente de uma OS que também atua em diferentes municípios. e outros por afastamento da OS, busca e apreensão e indisponibilidade de bens.
A indiferença das autoridades fluminenses contrasta com a atuação firme do MP de São Paulo. Por isso, a estratégia agora é provocar os promotores paulistas para que examinem os indícios e, inclusive, considerem ouvir oficialmente o vereador Ricardinho Netuno.
A petição encaminhada por Cerqueira busca justamente garantir que os elos entre as investigações de São Paulo e as denúncias de Maricá não sejam ignorados.
Mas tão grave quanto a inércia do MP do Rio é o silêncio da grande imprensa.
Enquanto projetos futurísticos idealizados pelo prefeito que só existem no papel ou na propaganda oficial ganham amplo destaque em jornais e emissoras como se fossem realidade, as denúncias documentadas e registradas no plenário da Câmara de Vereadores são sistematicamente ignoradas.
O mesmo ocorre com as petições já encaminhadas ao Ministério Público, tratadas como se não fossem de interesse público.
Em Maricá, o quadro se repete em escala local: veículos de comunicação críticos, que exercem jornalismo investigativo, são discriminados e excluídos da verba publicitária institucional, enquanto outros, alinhados ao governo, são privilegiados.
Atitude discriminatória do prefeito contra veículos que estão trabalhando dentro do protocolo jornalístico motivou o jornalista Marcelo Cerqueira a peticionar ao Ministério Público informações sobre como o prefeito está destinando recursos à imprensa para fazer o trabalho institucional, de forma a identificar cada agência de publicidade responsável pelos contratos e, principalmente, quanto cada veículo de comunicação está recebendo da prefeitura.
Essa prática reforça a percepção de que a informação está sendo filtrada e que a população não tem acesso à totalidade da verdade.
Diante disso, resta à população refletir: não é estranho que a grande imprensa silencie diante de denúncias tão graves, mas reserve espaço para vender uma “cidade modelo” que não existe na realidade?
Vale lembrar que, no presente, a população sofre com problemas do cotidiano e o prefeito enfrenta uma rejeição superior a 50%, conforme mostrou pesquisa recente.