Maricá lidera a tabela invertida e insiste em tratar futebol como confraria…


O Maricá ocupa hoje um lugar que ninguém comemora, mas que diz muito sobre o que o clube virou dentro do Campeonato Carioca. Pmeiro colocado na chamada tabela invertida, a lanterna disfarçada de projeto, o time não sofre apenas com derrotas em campo. Sofre, principalmente, com escolhas fora dele.

A troca de técnico, vendida como solução, é só o remendo mais recente. Qualquer pessoa que conheça minimamente futebol sabe que mudar treinador não transforma elenco fraco em competitivo. Técnico não faz milagre quando o problema é estrutural. Se o objetivo fosse disputar de verdade, as mudanças precisariam começar de dentro para fora, com profissionais que entendam suas funções e tenham histórico na área. Existe uma diferença enorme entre se achar profissional e ser profissional. E o histórico sempre entrega.

Enquanto o Maricá patina, sua derrota recente acabou ajudando diretamente o Flamengo, que sequer entrou em campo, mas se beneficiou do resultado na briga por posição no Carioca. É simbólico. O Maricá não só perde para os adversários, como passa a servir de degrau para quem ainda luta por algo maior no campeonato. A tabela não mente, e o contexto menos ainda.

Os erros são básicos, quase constrangedores para um clube que disputa a elite estadual. Falta de ambulância, falhas em exigências mínimas da Federação, improviso onde deveria haver planejamento. Isso não é azar, é método. Quando o clube funciona como um clube de amigos, e não como uma instituição profissional, o resultado tende a ser sempre o mesmo, independentemente de quem esteja à beira do campo.

O futebol é implacável com amadorismo. Ele até tolera discurso, mas cobra organização. Enquanto o Maricá insistir em decisões políticas, afetivas ou personalistas, e não técnicas, continuará liderando apenas essa tabela que ninguém quer estar no topo. A tabela invertida pode até ser uma ironia estatística, mas hoje ela é um retrato fiel da gestão.

No fim das contas, o problema do Maricá não é o treinador que saiu ou o que chegou. É a incapacidade de entender que futebol competitivo começa antes do apito inicial, muito antes da escalação, e bem longe da ideia de que boa vontade substitui competência.