O teatro das promessas bilionárias enquanto a cidade afunda
Washington Quaquá mantém uma relação peculiar com a lei: ela só vale quando não o atrapalha. A Lei Orgânica do Município, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a própria Constituição Federal são claras ao estabelecer que recursos públicos municipais devem atender ao interesse local e respeitar o princípio da territorialidade.
Direcionar verbas para projetos internacionais, ainda que travestidos de “parcerias”, não é permitido.
Mesmo assim, Quaquá insiste em agir como se as leis fossem meras sugestões. Em Maricá, sob sua gestão, o ordenamento jurídico parece flexível. Especialmente quando o assunto envolve viagens, anúncios internacionais e promessas bilionárias.
Quaquá não se comporta como um prefeito comum. Ele governa como se estivesse acima das regras que vinculam qualquer administrador público.
O “PAÍS DE QUAQUÁ”
Enquanto assinava uma carta de intenções em Madri, utilizando recursos públicos para promover um projeto turístico internacional, a realidade em Maricá seguia outra: escolas sem estrutura, unidades de saúde sem medicamentos, bairros abandonados e famílias sem serviços básicos.
Não se trata de coincidência. Trata-se de prioridade.
A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que os recursos municipais devem ser aplicados em benefício direto da população local. Quaquá conhece essa regra. Mas escolheu ignorá-la. Criou, assim, uma lógica própria: austeridade para o povo, espetáculo para o exterior.
Para Maricá, cortes e abandono. Para a Europa, apresentações teatrais de projetos futurísticos que só existem em slides. Para o prefeito, viagens internacionais financiadas com dinheiro que deveria garantir remédios, água e dignidade.
ENQUANTO O PREFEITO VIAJA, A CIDADE SANGRA
Saúde em colapso
Pacientes diabéticos aguardam insulina que não chega. Unidades Básicas de Saúde funcionam precariamente. Hospitais operam superlotados, com falta de leitos, medicamentos e equipamentos. Profissionais trabalham no limite.
Esse cenário convive com o anúncio de R$ 1,5 bilhão destinados ao chamado “Complexo Maraey”, um projeto que, até agora, não saiu do papel.
Quantas insulinas poderiam ser compradas com esse valor? Quantas vidas poderiam ser preservadas?
Educação em ruínas
Maricá ocupa posições vexatórias nos indicadores educacionais. Professores enfrentam atrasos salariais recorrentes. Escolas funcionam com telhados comprometidos, mobiliário precário e laboratórios inexistentes.
Durante campanhas, Quaquá visita essas escolas, promete mudanças e desaparece em seguida para compromissos internacionais. Com R$ 1,5 bilhão, seria possível construir dezenas de unidades escolares completas, investir em capacitação docente e mudar o futuro de uma geração. Mas o dinheiro segue para hotéis imaginários.
Infraestrutura inexistente
Cerca de 81% dos domicílios de Maricá não possuem acesso à água tratada. A população depende de poços e soluções improvisadas. O saneamento básico segue como promessa eterna.
Ainda assim, a prioridade anunciada é um complexo turístico de luxo, com hotéis cinco estrelas, voltados a um público inexistente em uma cidade que não atende nem suas necessidades básicas.
Desemprego e ilusão
Milhares de moradores enfrentam o desemprego enquanto o prefeito anuncia “18 mil empregos temporários” vinculados a um projeto que se resume a uma carta de intenções assinada no exterior. Empregos de um empreendimento que não existe.
Dados reais sobre desemprego, renda per capita e pobreza não aparecem no discurso oficial. Números concretos nunca foram o forte dessa gestão.
A FARSA MATEMÁTICA
Maricá possui cerca de 1.500 leitos de hospedagem. Mesmo com ocupação total durante todo o ano, a cidade não comportaria mais que aproximadamente 547 mil pernoites anuais. Falar em 1,5 milhão de turistas é matematicamente impossível.
Isso não é opinião. É cálculo básico.
O prefeito sabe disso. Seu secretariado sabe. Os consultores contratados com dinheiro público também sabem. Ainda assim, o número é repetido exaustivamente. Não para convencer, mas para justificar gastos, contratos, viagens e estudos.
Não é planejamento. É encenação.
UM HISTÓRICO QUE NÃO DESAPARECE
Quaquá não é um novato em denúncias e condenações. Seu histórico inclui condenações judiciais, declarações de inelegibilidade, rejeições de contas e múltiplos processos envolvendo má gestão administrativa.
O padrão se repete: problemas graves na administração seguidos por anúncios grandiosos, sempre prometendo um futuro que nunca chega.
O ELEFANTE BRANCO CHAMADO MARAEY
O “Complexo Maraey” tende a seguir o roteiro conhecido: contratos, consultorias, estudos intermináveis e nenhuma obra concluída. O histórico de projetos comprados sem execução concreta reforça esse padrão.
Não se trata de construir. Trata-se de gastar, justificar e manter a engrenagem política funcionando.
A PERGUNTA QUE INCOMODA
Quem se beneficia com R$ 1,5 bilhão?
Certamente não é o povo de Maricá, que continua enfrentando filas na saúde, precariedade educacional, falta de saneamento e desemprego. O benefício real parece concentrado em contratos, licitações direcionadas e consultorias milionárias.
A LEI IGNORADA
A legislação é clara: recursos públicos municipais devem atender às necessidades locais. Desviar esse foco para projetos especulativos internacionais não é apenas má gestão. É violação legal.
Em Maricá, porém, a lei parece maleável quando confronta o poder.
CONCLUSÃO
Maricá vive sob uma gestão onde a lei se curva à vontade de um homem. Um homem com histórico de condenações e irregularidades, que governa como se estivesse acima das regras.
O povo merecia água tratada, escolas estruturadas, saúde funcionando e dignidade. Recebe, em troca, promessas internacionais e hotéis que não existem.
A fraude está nos números. A ilegalidade está nos atos. A realidade está nas ruas.
Resta saber se alguém terá coragem de responsabilizar quem transformou Maricá em palco de promessas vazias enquanto a cidade sangra.
Jornalista cobra MP por inércia diante de denúncias em Maricá
O jornalista Marcelo Cerqueira, “JORNAL NAPAUTA”, esteve na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, no Centro do Rio, para cobrar providências diante do que classifica como uma grave omissão do órgão em relação a denúncias envolvendo a administração pública de Maricá.
No vídeo, Cerqueira afirma que o município acumula mais de 50 procedimentos arquivados ou engavetados de forma indevida ao longo dos últimos anos, muitos deles acompanhados de provas.
Segundo ele, há casos que se arrastam desde 2012 e 2013 sem qualquer desfecho, enquanto arquivamentos recentes chegaram a ser questionados por instâncias superiores do próprio Ministério Público.
A cobrança do jornalista não se refere a um único episódio, mas a um histórico de denúncias já levadas à Câmara Municipal, inclusive pelo vereador Ricardinho Netuno, que aponta crimes em andamento sem resposta institucional.
O vídeo é um retrato da insatisfação crescente com a atuação do Ministério Público em Maricá e reforça a percepção de que, enquanto denúncias se acumulam, procedimentos não avançam e nenhuma responsabilização ocorre.
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