Médica é assassinada a tiros em bar no Acre após acionar botão do pânico contra ex-companheiro

O crime e a dinâmica da execução

A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi assassinada na noite desta segunda-feira (2), enquanto estava em um bar na cidade de Brasiléia, no interior do Acre. Segundo testemunhas, a vítima estava acompanhada de amigos quando um homem se aproximou, sacou uma arma e efetuou dois disparos contra ela. O executor fugiu do local logo após o ataque. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação, que chocou a comunidade local.

Falha na proteção e histórico de ameaças

A vítima vivia sob constante medo. Elyne possuía uma medida protetiva contra seu ex-companheiro, Francisco Valadares Neto — que é procurador municipal, advogado e ex-vereador. Relatos indicam que, momentos antes de ser executada, a médica chegou a acionar o botão do pânico, dispositivo destinado a situações de emergência para vítimas de violência doméstica. Apesar do acionamento, a central de monitoramento não enviou uma equipe ao local a tempo de impedir a tragédia.

Investigação aponta mandante

A Polícia Civil aponta Francisco Valadares Neto como o mandante do assassinato. O suspeito, que utiliza tornozeleira eletrônica, foi encontrado desacordado em sua residência na manhã desta terça-feira (3). A polícia registrou, anteriormente, dois boletins de ocorrência envolvendo ameaças e descumprimento de medida protetiva entre o casal, ocorridos em agosto e setembro deste ano. O executor direto do crime ainda não foi capturado, após ter entrado em uma área de mata após confronto com policiais.

Comoção e manifestações de autoridades

O caso gerou forte reação de órgãos públicos. A governadora Mailza Assis, a Prefeitura de Brasiléia e o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) emitiram notas de pesar, repudiando a violência contra a profissional de saúde. O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) informou que está acompanhando rigorosamente as investigações para garantir que os responsáveis sejam devidamente punidos. O corpo da médica foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia.