O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o monitoramento de dados telefônicos do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito da Operação Compliance Zero. A medida, decidida em 17 de junho e tornada pública nesta quinta-feira (30), visa aprofundar as investigações sobre supostas fraudes e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master.
Risco de vazamento motivou a decisão
Um dos pontos centrais que fundamentou a autorização foi o temor de vazamento da operação. Segundo o magistrado, no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) protocolou os pedidos de busca e apreensão e monitoramento, o gabinete de Mendonça recebeu um pedido de audiência de um dos investigados. A TV Globo apurou que a solicitação partiu do próprio senador.
Uso de chamadas de voz para evitar registros
A Polícia Federal argumentou que o monitoramento é necessário devido ao comportamento dos investigados, que evitariam deixar rastros digitais. Segundo os investigadores, Jaques Wagner e o executivo Augusto Lima conduziam tratativas sensíveis predominantemente por chamadas de voz, uma estratégia deliberada para contornar o registro de mensagens de texto ou documentos que pudessem servir de prova.
Logística e sigilo da operação
A PF destacou a dificuldade de realizar o acompanhamento de campo do parlamentar, dado seu trânsito frequente entre Salvador e Brasília e sua agenda pública intensa. O monitoramento de registros de ERB (Estações Rádio Base) e extratos de chamadas foi apresentado como uma ferramenta técnica essencial para obter dados de localização sem expor as equipes policiais, especialmente após a organização criminosa ter demonstrado, em fases anteriores, capacidade de identificar movimentos investigativos.
O que diz a investigação e a defesa
A 9ª fase da Operação Compliance Zero investiga um esquema bilionário envolvendo o Banco Master, sob gestão de Daniel Vorcaro. A acusação aponta que Wagner teria atuado em favor de interesses do banco no Congresso em troca de vantagens indevidas, como um imóvel de luxo avaliado em R$ 2,5 milhões e repasses a empresas de familiares. Em nota, o senador nega ter atuado em benefício da instituição financeira e afirma que o apartamento mencionado nunca fez parte de seu patrimônio.