A escalada das críticas
O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou o embate diplomático com o governo brasileiro ao reafirmar, neste domingo (2), os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao canal LN+, Milei sustentou a tese de que Lula não seria inocente das condenações da Lava Jato, alegando que sua soltura ocorreu por uma falha processual. O mandatário argentino justificou seu tom agressivo afirmando que “chamar um ladrão de ladrão é mais leve do que o próprio ato de roubar”.
Acusações de interferência e ‘socialismo’
Milei não se limitou às críticas pessoais. O presidente argentino acusou Lula de promover uma “interferência política” na América Latina, disseminando o que chamou de “ideias imundas do socialismo”. Segundo o líder libertário, o governo brasileiro estaria por trás de uma campanha organizada — envolvendo recursos financeiros, influenciadores e atores políticos — para desestabilizar sua gestão em parceria com o kirchnerismo e aliados internacionais.
Reações do governo brasileiro e do STF
A postura de Milei tem gerado fortes reações em Brasília. O Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas e solicitou explicações ao representante argentino no Brasil. Integrantes do governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Dario Durigan, classificaram as falas de Milei como um “desserviço” e “palhaçada”. Além disso, o presidente do STF, Edson Fachin, manifestou repúdio aos ataques direcionados ao ministro Alexandre de Moraes, a quem Milei chamou de “lixo careca” durante um evento do PL em São Paulo.
O distanciamento entre os líderes
Enquanto Milei mantém a retórica de confronto, o presidente Lula tem adotado uma postura de distanciamento e ironia. Ao ser questionado recentemente sobre os ataques, o petista minimizou a importância das declarações com a pergunta: “Quem é esse cara?”. O cenário reflete uma crise profunda nas relações diplomáticas entre os dois maiores parceiros comerciais do Mercosul, sem sinais imediatos de arrefecimento ou tentativa de diálogo entre os chefes de Estado.