“Mirante das Utopias”: Quaquá rebatiza obra quase pronta de Fabiano Horta e quer vender ilusão como realização própria.

O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, anunciou com entusiasmo a retomada das obras do antigo Mirante do Caju agora rebatizado por ele como Mirante das Utopias.

A mudança de nome não é apenas simbólica: trata-se de uma tentativa explícita de apagar o legado do ex-prefeito Fabiano Horta, responsável pelo planejamento e início da obra, e vender à população um projeto quase finalizado como se fosse uma conquista da gestão atual.

A TVC esteve no local e constatou o estado avançado das obras: salas prontas, teto rebaixado, parte elétrica em execução e revestimentos sofisticados como placas de ardósia já instaladas. Segundo relatos, os trabalhadores foram dispensados e o projeto original será modificado a mando do prefeito, o que exigirá novos gastos dessa vez, a preços estratosféricos .

A pergunta que fica: por que destruir o que está praticamente pronto?

A resposta parece estar na obsessão de Quaquá em associar sua imagem a obras simbólicas ainda que, para isso, precise apagar o nome de quem de fato idealizou e executou boa parte do projeto.

Fabiano Horta, que deixou a prefeitura com altos índices de aprovação, mais uma vez tem seu trabalho explorado politicamente por quem não apresentou, até o momento, uma única grande realização nos sete primeiros meses de governo.

Outro ponto alarmante é a presença constante de pessoas estranhas à cidade ocupando espaços administrativos e operacionais.

Um verdadeiro exército de apadrinhados sem vínculo com Maricá, comparados por muitos moradores a uma “praga de gafanhotos” expressão usada para descrever a chegada em massa de forasteiros trazidos por Quaquá para assumir funções que deveriam pertencer ao povo maricaense.

A prática, criticada no passado pelo próprio Quaquá, agora se repete de forma ainda mais escancarada, gerando indignação popular e desconfiança sobre os reais interesses por trás das nomeações.

A suspeita de favorecimento a grupos e empresários de fora denunciada inclusive no plenário da Câmara Municipal reforça a sensação de que a cidade está sendo usada como moeda política, sem transparência e sem compromisso com a população.

O novo “Mirante das Utopias”, segundo o discurso oficial, será um espaço cultural e turístico com vista panorâmica de 360 graus da cidade. Quaquá, em tom grandioso, afirmou:

“Vamos terminar rapidamente essa obra e entregá-la ao povo de Maricá, para que o mundo inteiro possa ver as utopias em 360 graus.”

Mas a utopia maior talvez seja a tentativa de reescrever a história da cidade, maquiando números, apagando nomes e distorcendo fatos. O narcisismo político, a necessidade constante de holofotes e a falta de empatia com o trabalho anterior mostram um perfil de gestor mais preocupado com a própria imagem do que com o avanço real da cidade.

Resta saber: quantos milhões serão necessários para concluir uma obra que já está 90% pronta?

E mais uma vez, a imprensa aliada e bem paga será usada como vitrine para vender fantasias futurísticas enquanto a população amarga o abandono dos serviços essenciais e a crescente rejeição a um governo que caminha, dia após dia, para o isolamento político e popular.

Além da tentativa de apagar o legado de Fabiano Horta e assumir para si uma obra praticamente concluída, Quaquá tem adotado outra postura preocupante: evita sistematicamente a imprensa que atua com independência e compromisso com a verdade. Isso porque sabe que será questionado sobre suas contradições o que dizia no passado e o que pratica hoje.

A verdade é que, passados sete meses de governo, nenhuma grande obra foi entregue à população.

Em contrapartida, milhões de reais foram direcionados a projetos de cunho pessoal, articulações políticas e nomeações de aliados. Há denúncias de apadrinhados com salários altos e até empresas ligadas a esses nomes atuando dentro da estrutura da prefeitura, o que levanta sérias suspeitas de favorecimento e uso indevido da máquina pública.

Diante disso, fica claro: o “Mirante das Utopias” é apenas mais uma fachada criada para tentar maquiar uma gestão cada vez mais rejeitada pela população e sustentada por propaganda paga e silêncio conveniente