MORADORES QUESTIONAM: CADÊ A ASSISTÊNCIA SOCIAL EM MARICÁ?

Comerciantes relatam aumento da sensação de insegurança e cobram presença mais efetiva do poder público nas ruas da cidade

Maricá vem registrando aumento expressivo no número de pessoas em situação de rua em 2025, com cerca de 237 pessoas nessa condição, segundo levantamento da própria Prefeitura.

O fenômeno se espalha por diversos bairros, onde imóveis abandonados e estruturas públicas passaram a ser utilizados como abrigo improvisado, incluindo áreas do Centro, São José do Imbassaí, Ponta Negra e Cordeirinho.

O cenário tem provocado preocupação crescente entre moradores e comerciantes, principalmente diante de relatos envolvendo furtos, invasões, consumo de drogas em vias públicas, ocupação irregular de espaços urbanos e aumento da sensação de insegurança em determinadas regiões da cidade.

Relatos de comerciantes revelam clima de tensão

Trabalhadores e comerciantes de áreas afetadas afirmam que o movimento caiu nos últimos meses devido ao medo de parte da população em circular por alguns pontos da cidade.

“O povo está com receio. Muita gente evita passar em certas áreas”, relatou um comerciante ouvido pela reportagem.

Há também denúncias sobre colchões espalhados em calçadas, acúmulo de lixo, episódios de agressividade, consumo aberto de drogas e até tentativas de invasão a imóveis residenciais e comerciais, segundo relatos feitos por moradores em grupos comunitários e redes sociais.

Em alguns casos, moradores afirmam ter acionado a polícia após suspeitas de furtos e movimentações consideradas estranhas próximas a residências.

Mudança de cenário chama atenção da população

Moradores antigos da cidade afirmam perceber uma mudança significativa na organização urbana nos últimos meses.

Muitos apontam que, durante o governo do ex-prefeito Fabiano Horta, a atuação da Assistência Social era considerada mais presente nas ruas, principalmente em áreas comerciais e pontos com maior circulação de pessoas.

Segundo relatos ouvidos pela reportagem, havia maior frequência de abordagens sociais, encaminhamento para programas assistenciais e acompanhamento mais constante de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Hoje, porém, o cenário encontrado em diferentes bairros vem alimentando críticas e questionamentos sobre a atuação do poder público diante do crescimento do problema.

Viagens internacionais e críticas ao distanciamento da gestão

Enquanto moradores cobram ações mais efetivas nas ruas da cidade, críticas também surgem em relação às prioridades da atual administração municipal.

Em grupos comunitários e redes sociais, moradores questionam a frequência de viagens internacionais realizadas pelo prefeito Washington Quaquá em meio ao aumento das reclamações envolvendo desordem urbana e sensação de insegurança.

Para críticos da gestão, o contraste entre agendas internacionais, divulgação de projetos futuristas e os problemas enfrentados diariamente por moradores e comerciantes tem ampliado a percepção de distanciamento entre governo e realidade das ruas de Maricá.

Dados oficiais mostram aumento de furtos e debate sobre segurança

Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) apontam crescimento nos registros de furtos e estelionatos em períodos recentes no município, embora a Prefeitura também divulgue redução em alguns índices específicos de criminalidade.

O tema vem gerando forte debate entre moradores. Parte da população cobra medidas mais rígidas de ordenamento urbano e segurança. Outra parte defende ampliação das políticas sociais, tratamento contra dependência química e fortalecimento da assistência social.

No fim de 2024, a Prefeitura anunciou a criação de um comitê intersetorial voltado à população em situação de rua, reunindo diferentes secretarias para discutir ações integradas.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania não havia se manifestado sobre os questionamentos apresentados pela reportagem.

ENTRE A PROPAGANDA E A REALIDADE DAS RUAS

Enquanto Maricá investe milhões em campanhas institucionais, projetos internacionais e ações de promoção política, moradores afirmam que o cotidiano da cidade começa a revelar uma realidade cada vez mais distante da propaganda oficial.

A pergunta que cresce entre comerciantes, trabalhadores e moradores é simples:

Cadê a assistência social que Maricá tanto divulgava?

Nota da Redação:
A reportagem foi produzida com base em relatos de moradores, comerciantes, registros públicos, dados oficiais do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) e informações divulgadas pela própria Prefeitura de Maricá.