Móveis de R$ 1 milhão comprados em 2022 para projeto abandonado em Areal (RJ) estão estragando em depósito

Material novo se deteriora em galpão sem energia elétrica

Móveis adquiridos em 2022 com um custo de R$ 1 milhão, destinados a um projeto de parque natural e uma nova unidade escolar em Areal, no Rio de Janeiro, permanecem armazenados em um depósito da prefeitura desde então. O vereador Robinho da Vila visitou o local e constatou que o material está em más condições, com sinais de umidade, mofo e jogado, o que compromete sua qualidade e integridade.

Segundo o parlamentar, o mobiliário foi comprado para compor a estrutura do Parque Natural Municipal José Franklin dos Santos Vaz, um projeto criado em 2020 que, segundo ele, teve um custo de R$ 96 mil apenas em projetos e nunca foi implementado. O parque, classificado como unidade de conservação de proteção integral, deveria servir à preservação ambiental, atividades educativas e turismo ecológico.

“O material tá molhado, pegando mofo. Materiais jogados. Não dá nem para fiscalizar se tem R$1 milhão em móveis aqui. Material novo se acabando. Esse seria o material comprado para ‘escola-parque’. É um absurdo. O material trancado e jogado há anos”, descreveu o vereador em sua vistoria.

Prefeitura justifica armazenamento e distribuição parcial

Em nota, a Prefeitura de Areal informou que os itens foram comprados como bens duráveis para equipar uma nova unidade escolar chamada “Escola dos Sonhos”, que seria construída no mesmo Parque de Alberto Torres. No entanto, a obra não pôde avançar devido à impossibilidade de obter a escritura definitiva do terreno destinado à construção.

Diante da suspensão do projeto da escola, o mobiliário foi armazenado. A prefeitura alega que, conforme surgiram demandas em outras unidades da rede municipal, parte dos móveis foi distribuída para suprir necessidades existentes. Segundo o município, escolas e creches como Renato Féo Almeida, Manoel Baptista de Andrade, Joaquim Vital Vieira e Horácio Veríssimo receberam parte do mobiliário.

Material remanescente ainda no depósito

Ainda de acordo com a prefeitura, o material que permanece no depósito corresponde ao quantitativo remanescente da aquisição original. Uma parte significativa dos itens já teria sido distribuída e está em uso nas unidades escolares da rede municipal. A administração reiterou que o mobiliário inicialmente previsto para a Escola dos Sonhos não foi utilizado na unidade projetada exclusivamente pela ausência da escritura definitiva do terreno.

O galpão onde os móveis estão guardados, localizado em Portões, é alugado pela prefeitura e, no momento da vistoria do vereador, não possuía energia elétrica, o que agrava as condições de armazenamento.