Mulher morre em UPA de Santos após espera angustiante por transferência hospitalar de alta complexidade

A morte de Márcia Guirão Seraphim, de 67 anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, em Santos, litoral de São Paulo, reacendeu o debate sobre a eficiência do sistema de regulação de vagas hospitalares no estado. A paciente faleceu no dia 2 de agosto, após passar mais de uma semana internada aguardando uma transferência que não aconteceu.

O agravamento do quadro clínico

Márcia deu entrada na UPA em 23 de julho com complicações decorrentes de uma trombose e fortes dores. Segundo sua neta, Rochelly Guirão, a paciente necessitava de uma cirurgia ginecológica e de cuidados intensivos. Embora tenha recebido assistência da equipe da unidade, a família relata que o estado de saúde de Márcia deteriorou-se rapidamente, comprometendo órgãos vitais enquanto a vaga em um hospital de referência não era liberada.

Família aponta descaso na regulação

Para os familiares, a demora foi determinante para o desfecho trágico. “Se tivessem feito a transferência nos primeiros dias, talvez ela estaria viva”, desabafou a neta. A família ressalta que a indignação não é contra o atendimento prestado na UPA, mas contra a falha estrutural que impediu o acesso da paciente a uma UTI no tempo necessário para salvar sua vida.

Posicionamentos oficiais

A Secretaria de Estado da Saúde informou que a solicitação de transferência foi aberta pela Prefeitura de Santos apenas em 29 de julho, quatro dias após a internação inicial. O órgão estadual reforçou que a responsabilidade pela atualização dos dados no sistema de regulação cabe à unidade de origem. Por sua vez, a Secretaria de Saúde de Santos afirmou que todos os trâmites foram seguidos e que a prioridade de vagas é definida estritamente pela gravidade clínica, lamentando profundamente o falecimento.

Como funciona o sistema Cross

A Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) atua como o elo entre as unidades de pronto atendimento e os hospitais de alta complexidade. O sistema funciona 24 horas buscando vagas na rede pública conforme a disponibilidade hospitalar. Contudo, o caso de Márcia ilustra o gargalo enfrentado por pacientes que dependem da rede pública, onde a espera por uma vaga em leito de UTI pode significar a diferença entre a recuperação e o óbito.