Roma, 8 de agosto de 2025 — Em carta manuscrita divulgada na quarta-feira (6) e rapidamente retirada das redes sociais , a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) reafirmou sua inocência e lançou duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de “ditador” e declarando que “nenhum ditador nos colocará de joelhos” .
A carta, dirigida “aos brasileiros de todo o mundo”, foi publicada nos perfis de seu advogado, Fábio Pagnozzi, e dos filhos, Bruno e João Zambelli, mas foi excluída cerca de uma hora depois da publicação…
Na correspondência, Zambelli afirma manter a “consciência tranquila de alguém inocente” e finaliza com uma citação bíblica: “Tudo posso naquele que me fortalece”…
Contexto da Condenação e Fuga
Zambelli foi condenada unanimemente pelo STF em 17 de maio de 2025, junto com o hacker Walter Delgatti Neto, por invasão de dispositivos informáticos e falsidade ideológica.
A acusação aponta que ela orquestrou a inserção de documentos falsos no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como mandado de prisão forjado contra o próprio ministro Moraes.
A pena foi estipulada em 10 anos de prisão em regime fechado, além de multa consistente em dois mil salários-mínimos …
Logo após a confirmação da condenação, Zambelli fugiu do Brasil em junho de 2025 passou pela Argentina, esteve na Flórida e chegou à Itália, país de sua cidadania, onde acreditava estar “intocável”.
No entanto, em 29 de julho, agentes da Interpol a detiveram em Roma, em cumprimento ao mandado expedido por Moraes.
Situação no Presídio de Rebibbia
A deputada está cumprindo prisão preventiva no Complexo Penitenciário Feminino de Rebibbia, um dos maiores da Europa, onde detentas dividem celas e contam com acesso limitado a atividades como aulas, biblioteca, academia e creche.
Estima-se que o local abriga atualmente cerca de 360 mulheres em ala superlotada com capacidade para 272 .
A defesa deseja revogar a prisão em uma audiência marcada para 16 de agosto, alegando que não há risco de fuga e reafirmando que Zambelli pretende cumprir o devido processo legal .
Enquanto isso, tramitam no Brasil dois processos paralelos: o de extradição na Itália e o de cassação do mandato na Câmara dos Deputados, que segue na Comissão de Constituição e Justiça e aguarda julgamento em plenário.
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