O Homem dos R$ 5 Milhões sob Denúncia: Quaquá e a Importação de Nomes Denunciados para Comandar Milhões em Maricá

Por Ricardo Cantarelle

Vereador Ricardinho Netuno denuncia em plenário que o novo secretário de Comunicação de Maricá, nomeado pelo prefeito Washington Quaquá, já foi alvo de investigações e integra um histórico de controvérsias envolvendo campanhas nacionais do PT.

Para a oposição, a nomeação revela um padrão de governo marcado por centralização extrema de poder, aparelhamento político e desprezo pelo trabalhador local.

Enquanto milhares de maricaenses enfrentam demissões, insegurança econômica e mesas cada vez mais vazias, a cidade assiste a um contraste simbólico perturbador: a fartura institucional, traduzida em sucessivas festas, confraternizações e eventos oficiais um cenário que, segundo críticos da gestão, tende a se prolongar politicamente até 2026 em choque direto com a realidade cotidiana de quem sustenta a cidade.

A Denúncia em Plenário

No plenário da Câmara Municipal de Maricá, o vereador Ricardinho Netuno apresentou, em mais de uma oportunidade, denúncias que lançam luz sobre a responsabilidade direta do prefeito Washington Quaquá na escolha de nomes estratégicos para o alto escalão do governo.

Segundo o parlamentar, o novo secretário de Comunicação, Keffin Galvão Cesar Gracher, carrega um passado denunciado, com citações em investigações eleitorais relacionadas à campanha presidencial de 2014.

As falas do vereador, registradas em ata, apontam que a nomeação não é um fato isolado, mas parte de um método político deliberado adotado pela atual gestão.

A denúncia desloca o foco do indivíduo para o ato administrativo: foi Quaquá quem trouxe Keffin Galvão para Maricá e o colocou à frente de uma secretaria considerada estratégica, com orçamento superior a R$ 100 milhões.

Um Nome que Orbitou Milhões

De acordo com registros públicos e decisões judiciais amplamente divulgadas à época, Keffin Galvão foi proprietário de empresas de comunicação citadas em investigações do Tribunal Superior Eleitoral relacionadas a esquemas de financiamento irregular de campanha.

Entre elas, a Dialógica Comunicação e Marketing e a 2K Comunicações, que aparecem em processos envolvendo subcontratações questionadas, repasses financeiros atípicos e conexões com empresas investigadas no chamado “pichulequinho do Edinho”, expressão utilizada em votos e manifestações no âmbito da Justiça Eleitoral.

O ministro Gilmar Mendes, em decisão no TSE, apontou indícios que motivaram o envio de peças ao Supremo Tribunal Federal para apuração de possíveis crimes eleitorais. Não se trata de sentença condenatória, mas de fatos documentados que integram o histórico público do nome agora escolhido para comandar a comunicação institucional de Maricá.

Engevix, Contratos e Questionamentos

Outro ponto levantado por críticos da gestão envolve a relação entre empresas investigadas na Operação Lava Jato e contratos públicos em Maricá.

A empreiteira Engevix, que firmou acordo de leniência após condenações e investigações por pagamento de propina, mantém contratos milionários com a Codemar, empresa pública municipal.

O cruzamento dessas informações, segundo parlamentares da oposição, levanta questionamentos sobre a repetição de padrões já vistos em escândalos nacionais: empresas envolvidas em esquemas no passado voltam a operar com recursos públicos, agora em âmbito municipal.

Não se trata de afirmar ilegalidade automática, mas de registrar que os sinais de alerta são evidentes e exigem fiscalização rigorosa.

A Responsabilidade Política de Washington Quaquá

Aqui está o ponto central que não pode ser ignorado:
nada disso acontece sem decisão política.

Para vereadores da oposição, o problema não está apenas nos nomes denunciados, mas no padrão de escolhas do prefeito Washington Quaquá, que reiteradamente nomeia figuras com histórico de controvérsias e denúncias para cargos sensíveis da administração municipal.

Segundo Ricardinho Netuno, em sucessivos pronunciamentos oficiais, existe em Maricá um grupo estruturado operando de forma criminosa afirmando ser uma “QUADRILHA”
termo utilizado pelo vereador para descrever o que considera um esquema organizado de poder, com controle político da máquina pública e repressão administrativa a adversários.

Essas afirmações não partem deste jornalista, mas de um representante eleito, no exercício de seu mandato, com falas registradas oficialmente.

Governo Centralizador e Clima de Retaliação

Parlamentares e setores da sociedade civil relatam que a administração Quaquá opera sob um modelo altamente centralizador, no qual vozes dissonantes enfrentariam isolamento político, perda de espaços institucionais e represálias administrativas.

Críticos descrevem o ambiente como autoritário e intimidatório, onde a lealdade política é recompensada e a oposição tratada como inimiga a ser neutralizada. A percepção, amplamente difundida entre adversários do governo, é a de que Maricá deixou de ser governada para todos e passou a ser administrada para um núcleo restrito de aliados.

Fartura Institucional x Mesa Vazia do Trabalhador

Em dezembro, o contraste se torna ainda mais simbólico. De um lado, a agenda oficial segue marcada por eventos, festas e confraternizações custeadas direta ou indiretamente pelo poder público uma fartura institucional que, segundo críticos, tende a se manter como marca política até o próximo ciclo eleitoral.

Do outro, milhares de trabalhadores enfrentam demissões, queda de renda e dificuldades básicas. O Natal, que deveria representar esperança, escancara a desigualdade: enquanto alguns celebram à mesa farta, muitos maricaenses encaram geladeiras vazias.

Não é uma acusação de crime.
É um choque de realidades.

O Debate que Não Pode Ser Silenciado

As denúncias feitas por Ricardinho Netuno, somadas às críticas recorrentes do deputado estadual Filippe Poubel, colocam a gestão Quaquá sob questionamento político permanente. Até agora, as falas ecoam no plenário, circulam nas redes sociais e são registradas nos anais oficiais sem respostas convincentes por parte do Executivo.

A sensação, entre opositores, é de impunidade política, alimentada por uma estrutura de poder robusta, centralizada e pouco permeável à fiscalização.

O Tempo e o Julgamento Público

Não há julgamento definitivo aqui.
Há fatos, registros, denúncias e escolhas políticas claras.

O tempo, como sempre, será o senhor da verdade.
Mas o jornalismo tem o dever de registrar o presente.

Ao final, a pergunta que fica não é apenas quem ocupa os cargos, mas quem decide essas nomeações e a quem elas servem. As escolhas de Washington Quaquá moldam o governo de Maricá e definem se a cidade caminha para a transparência ou para a normalização de práticas que já envergonharam o país em outras esferas.

O voto constrói.
O voto corrige.
E a memória política, por mais que tentem, não se apaga.